|
Vem aí, a Taxa de Segurança |
|
*Cláudio Damião Santos Pereira
Há muito tempo tenho combatido a cobrança da Taxa de Incêndio pelo governo estadual. Sempre que posso, levanto a minha voz contra este absurdo. Já preguei até a desobediência civil contra o pagamento deste mostrengo. Acho um abuso cobrarem de nós por um serviço cujo custo já está embutido em todos os impostos que pagamos ao Estado. E põe imposto nisso! Se o nosso governo do estado é incompetente – ou competente, dependendo do prisma por que se olha a coisa – para gerir (ou digerir) o nosso dinheiro, a história é outra. Nos textos que escrevi sobre o tema, dizia, em tom de ironia, que daí a pouco nos cobrariam pela manutenção da guarda municipal, pela manutenção da polícia civil; criariam a Taxa Estadual de Manutenção da Saúde etc... Infelizmente, citei a possibilidade de criarem a Taxa de Segurança Pública. O que poderia parecer um certo exagero de minha parte, lamentavelmente, corre o risco de tornar-se realidade. O balão de ensaio já foi lançado pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar Miranda, que defendeu, outro dia, a idéia de se criar uma taxa à semelhança da Taxa de Incêndio, para custear a segurança pública. Já não bastasse pagarmos tantos impostos e recebermos de volta serviços de péssima qualidade, isso quando recebemos os serviços, ainda querem nos empurrar mais esta conta? Não dá! É preciso que haja alguma reação da população. Somos passivos demais, minha gente! Estamos assistindo à falência do Estado do Rio, comandado por alguns políticos carreiristas, de conduta duvidosa, cujo caos administrativo faz o nosso estado andar para trás. Verdadeiras gangues disfarçadas em ONGs, prestadoras de serviços, ou mesmo projetos assistencialistas e demagógicos que sangram o dinheiro público e as contas do estado, e transforma-o num saco sem fundo. Veja, por exemplo, o caso das Farmácias Populares, que oferecem remédios (que são dados de graça nos postos de saúde) por R$1. A lista de produtos é limitada e o projeto foi alvo de investigação por suposto envolvimento em fraudes. Algo nebuloso e que ainda não foi devidamente explicado. Além disso, a dita Farmácia Popular nada mais é do que um grande cabide de emprego, pago com o nosso dinheiro e que visa a gerar votos. Mas a farra vai do Executivo ao Legislativo. Neste último, 11 deputados da base de apoio do governo estadual são investigados pela Polícia Federal, por suspeita de lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem financeira. Inclusive o seu presidente, Jorge Picciani, que ao longo de 10 anos teve o seu patrimônio ampliado em mais de 1.000%. Como pode isso? E nós é que continuaremos a pagar a conta? Agora, no bojo da onda de violência, surge um gênio da humanidade, com a proposta revolucionária: criar mais uma taxa e repassar para nós, burros de carga, pagarmos. O momento é oportuno para avaliarmos, não só o desempenho dos candidatos, mas o nosso papel, como cidadãos e eleitores. Não custa lembrar que se as coisas chegaram ao grau de degradação que chegaram, nós também temos um aparcela de culpa. Façamos, pois, como disse o grande escritor português, José Saramago: “Então nós, simples cidadãos, vamos tomar a palavra e a iniciativa. Com a mesma veemência e a mesma força com as quais reivindicamos os nossos direitos, vamos reivindicar também o dever de nossos deveres.” *Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail: claudiodamiao@pop.com.br Publicado no jornal A Voz da Serra 31/08/06 |