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por
Frei Betto
O que está em jogo na
eleição de 29 de outubro é o futuro do Brasil. Não se
trata de dar o voto ao candidato mais simpático nem àquele
que parece ter vencido o adversário nos debates. A questão
é mais séria: trata-se de preservar e fortalecer a soberania
brasileira, bem como assegurar o desenvolvimento sustentável.
Não quero nunca mais ver o nosso ministro das Relações
Exteriores tirar os sapatos na alfândega dos EUA, como fez
Celso Lafer, chanceler do governo FHC. Celso Amorim, do
governo Lula, jamais se submeteu a tamanha humilhação. País que se
preza não se verga diante do Império. Bem fez o governo
Lula ao recusar a proposta “made in Bush” da Alca, que
reforçaria a América Latina como colônia dos EUA.
Há que comparar os dados do governo do PSDB, em oitos anos
de FHC, com os do governo do PT. No primeiro, a Polícia Federal
contava com 5 mil agentes; hoje, são 11 mil. Isso explica
as operações freqüentes contra o crime organizado, os
sonegadores, inclusive militantes políticos ligados ao PT, como
é o caso dos envolvidos no dossiê Vedoin. Em 8 anos de PSDB,
a Polícia Federal prendeu 54 pessoas. Em 4 de governo Lula,
2.971.
O atual governo criou 7 milhões de novos empregos com carteira
assinada; o anterior, 700 mil. O nível de desemprego nas regiões
metropolitanas era de 11,7%; hoje é de 8,3%. As exportações
totalizaram US$ 60,4 bilhões em 8 anos de FHC. No governo
Lula, US$ 118,3 bilhões. Em 2002 a balança comercial tinha
um saldo negativo de US$ 8,4 bilhões. Hoje, o saldo positivo
é de US$ 103,3 bilhões. O risco país era, naquele ano, de 2.400
pontos. Hoje, 204, o nível mais baixo da história do
Brasil.
Quem viveu o governo Sarney sabe o quanto a inflação
deteriorava o país e, sobretudo, a renda dos trabalhadores.
No governo FHC, era de 12,53% ao ano. Hoje, 2,8%, o que explica
o preço mais barato de gêneros de primeira necessidade e a
estabilidade econômica, além do crescimento da renda da população
mais pobre. De cada 100 miseráveis, 19 passaram à classe média
média.
A dívida com o FMI, sob FHC, era de US$ 14,7 bilhões. Hoje
está zerada. Não há mais missões do FMI metendo o nariz em
nossas contas e ditando regras do que devemos ou não fazer.
O governo do PSDB investiu R$ 38,2 bilhões em desenvolvimento.
O governo PT, 47,1 bilhões. O BNDES investiu em micro e
pequenas empresas R$ 14,99 bilhões no atual governo. No anterior,
apenas R$ 8,3 bilhões. Os empréstimos para compra de
casa própria somaram R$ 1,7 bilhão no governo anterior. No
atual, R$ 4,5 bilhões. O PIB cresceu 2,3% ao ano na gestão
FHC e 2,6% ao ano na era Lula. Os juros no governo anterior
eram de 25% ao ano. Hoje, 14,25%.
O crédito à agricultura familiar cresceu 2,4% nos
oito anos de FHC; e 6,1% nos quatro anos de Lula. O governo atual
investiu R$ 7,5 bilhões na safra 2005/2006 e mais R$ 10 bilhões
na safra 2006/2007. Em 2002, FHC investiu R$ 2,5 bilhões.
O salário mínimo subiu 20,6% na gestão anterior e 25,3%
na atual, com ganho real de 25,7% em três anos. O salário
mínimo comprava 1,3 cesta básica; hoje, adquire 2,2 cestas
básicas.
Às famílias mais pobres, o governo tucano transferia
uma média mensal de R$ 25. O governo petista, via Bolsa Família,
transfere R$ 70 em média a 11,1 milhões de famílias,
favorecendo mais de 40 milhões de pessoas.
Cerca de 70 milhões de pessoas são atendidas, hoje, pelo programa
Saúde da Família. No governo anterior não passaram de 55 milhões.
Na região do semi-árido, foram construídas, nesses últimos quatro
anos, 152 mil cisternas de captação de água da chuva. No governo
anterior não havia investimento naquele importante programa. O
Pró-Jovem concede R$ 100 por mês a 93 mil estudantes de 18
a 24 anos. Na era PSDB não existia programa semelhante.
Desde a chegada de Cabral do Brasil até 2002, o governo
federal preservou 40 milhões de hectares. De 2003 a 2006, foram
preservados mais 19,6 milhões de hectares de nossas matas e
florestas.
A mortalidade infantil indígena, por 1.000 habitantes, era
de 55,7 na gestão tucana. Hoje é de 21,6. Em alimentação
escolar o governo FHC investiu R$ 848 milhões. O atual, R$
1 bilhão. O Brasil atraía cerca de 4 milhões de turistas por
ano no período de FHC. Hoje, cerca de 5 milhões.
O governo Lula distribuiu 7 milhões de livros para alunos
do ensino médio. O governo FHC, nenhum. O programa Luz para Todos
(eletrificação rural) beneficia 3 milhões de pessoas. No
governo tucano, apenas 2,7 mil, além de levar a nação a
suportar os apagões por falta de política energética. O
governo do PSDB privatizou empresas públicas e estatais no
valor de R$ 100 bilhões. O governo do PT nunca alienou o patrimônio
público.
Os dados têm como fontes: IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios - desde 1994); ANEEL; Bovespa;
CNI; CIESP; ministérios; agências reguladoras; SUS; CES/FGV;
jornais FSP, O Globo e O Estado de S. Paulo. A
pesquisa foi feita pelo professor Eduardo Marques, do
Departamento de Ciência Política da USP, estudioso de políticas
públicas no Brasil.
Frei Betto é escritor, autor de
“Alfabetto – Autobiografia Escolar”
(Ática), entre outros livros.
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