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Vendendo o carro para comprar a gasolina |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
Como disse o jornalista Elio Gaspari, em artigo no jornal O Globo – edição do dia 15/10/2006: “Lula exagera mas não mente quando vincula Geraldo Alckmin à privataria que torrou R$ 200 bilhões do tesouro entre 1995 e 2002”. O mesmo jornal trás outra manchete: “Privatização em São Paulo arrecadou R$ 77,5 bilhões desde o governo Covas”. Lendo a matéria, descobre-se que todo o dinheiro arrecadado com a entrega do patrimônio público dos paulistas foi usado para pagar dívidas, e que mesmo assim as dívidas subiram 33% no período. Ou seja, os paulistas perderam seu patrimônio público e a dívida ainda aumentou, e muito. “Vendeste o carro para comprar a gasolina”, diria Noel Rosa. Não é por menos que Alckmin, durante todo o tempo da campanha eleitoral, tenta descolar a sua imagem da imagem de FHC. Fica irritado quando acusado de que, se eleito, privatizará a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, Correios, etc... ou seja, o pouco que sobrou da farra das privatizações do governo anterior, cujos recursos arrecadados, a exemplo do governo de São Paulo, tiveram o mesmo destino: o ralo. Dizem que brasileiro tem memória curta. Sendo assim, não custa lembrar que o projeto das privatizações/doações foi largamente defendido pelo PSDB/PFL, e foi levado adiante por pessoas que deveriam ser condenadas por crimes de lesa-pátria. Não foi à toa que Fernando Henrique Cardoso viajou o mundo sendo bajulado com títulos e honrarias. Afinal, ninguém atendeu melhor aos interesses internacionais do que ele. Na ânsia de entregar o Banco do Brasil e a Petrobrás, mudou o nome das duas empresas, sendo forçado a voltar atrás devido ao absurdo da decisão. Para tirar o “s” da palavra Petrobrás e substituí-la por um “x”, gastou-se uma fortuna. A Vale do Rio Doce, uma das maiores mineradoras do mundo, a maior da América Latina, foi doada por R$ 3 bilhões, com direito a moedas podres e ajuda do BNDES. Hoje vale aproximadamente R$ 50 bilhões. E nenhuma CPI investigou este crime. Bem como não investigou os escândalos de favorecimento quando da entrega das empresas de telefonia. Havia até gravações telefônicas em que ficava clara a participação de FHC no processo de favorecimento a determinados grupos econômicos. Também não custa lembrar que naquele governo muito dinheiro público foi usado para “salvar” bancos em “dificuldades”. - Pobres banqueiros! Receberam mais de R$ 30 bilhões, para, segundo o governo da época, garantir a confiabilidade do sistema. Estes temas precisam vir mais à tona. Sair da nebulosa do esquecimento e integrar o atual debate. Se isso não se der, corre-se o risco dos eleitores não compreenderem que o projeto de retomada da entrega do patrimônio público está implícito no discurso de Geraldo Alckimin. Que atua no ataque com um falso discurso pseudomoralista, anticorrupção. Protegido por um passado em que nada se apurava e nada vinha à tona. A compra de votos para a reeleição FHC, por exemplo, não me deixa mentir.
*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail: claudiodamiao@pop.com.br Publicado no jornal A Voz da Serra do dia 19.10.06 |