
*Cláudio
Damião Santos Pereira
Lamentável
que o Estado do Rio de Janeiro tenha se esmerado em produzir políticos
de caráter e conduta tão duvidosa. Alias, se possuíssem estes itens
básicos, que se espera da conduta humana, tão necessários aos
agentes políticos, não estariam eles com seus nomes estampados nas páginas
dos jornais, em manchetes tão negativas.
Não estou querendo generalizar, temos representações, tanto
estaduais, como federais, que nos dignificam. Veja o exemplo do
deputado Federal Antonio Carlos Biscaia, presidente da CPI dos
Sanguessugas, que, contrariando o desejo do relator, deputado Amir
Lando, apontou a cassação de 69 deputados e 3 senadores, acusados de
envolvimento com a
máfia que superfaturava a compra de ambulâncias. Um exemplo de
coragem e honradez.
De um total de 90 parlamentares inicialmente acusados, 18, por
enquanto, ficarão fora da lista. “O que não significa que não serão
investigados”, diz Biscaia.
Na farra das emendas parlamentares, onde foram aprovados recursos para
a suposta compra de ambulâncias, com comissões e propinas que
engordaram a conta corrente dos envolvidos no esquema, a bancada do
Estado do Rio de Janeiro lamentavelmente se destaca. São 13
parlamentares com pedidos de cassação de mandato, apontados pela CPI
que investiga os Sanguessugas.
Seriam 16, mas 3 deles, por enquanto, estão inocentados. Constam da
lista os seguintes nomes: Carlos Nader (PL), Reinaldo Betão (PL),
Reinaldo Gripp (PL), Elaine Costa (PTB), Fernando Gonçalves (PTB),
Almerinda Carvalho (PMDB), Almir Moura (PFL), Laura Carneiro (PFL), João
Mendes de Jesus (PSB), Paulo Baltazar (PSB), Vieira Reis (PRB), José
Divino (deixou o PRB após o escândalo), Paulo Feijó (deixou o PSDB
após o escândalo). Os que por enquanto estão inocentado são: Dr.
Heleno (PSC), Josias Quintal (PSB) e Itamar Serpa (PSDB).
Alguns destes parlamentares já estiveram sob suspeita de envolvimento
em outros escândalos.
É muito triste saber que o Estado do Rio figura nas manchetes de
jornais como o estado que mais produziu corruptos na máfia dos
Sanguessugas. Seria isso reflexo do desinteresse dos eleitores quanto
à escolha de sua representação política? Devemos fazer uma avaliação
quanto ao comportamento dos eleitores e nos colocar também na condição
de responsáveis por este grave quadro. O desinteresse, a pouca
informação, acaba levando o eleitor a votar sem se preocupar em
quem. Isso para não falar das compras de votos, das trocas de favores
políticos, das promessas fáceis...
A quadrilha, que se organizou em 23 estados, teve ação destacada no
Estado do Rio, com 13 parlamentares; em segundo lugar São Paulo, com
9
parlamentares; em terceiro lugar a Paraíba, com 7 parlamentares. Daí
para frente, a contagem é regressiva.
O quadro político no Estado do Rio é grave. Talvez reflexo também
do
comportamento de parlamentares na Assembléia Legislativa do Estado,
onde
vários deles são acusados de enriquecimento ilícito. O presidente
da
ALERJ, Jorge Picciani, por exemplo, que fez do filho Deputado Federal,
teve o seu patrimônio milagrosamente aumentado em mais de 1.000%, em
poucos anos. Coisa que nós, trabalhadores, não conseguiremos jamais.
Veja o caso de algumas “ONGs”, que ligadas ao governo dos
Garotinhos,
produziu o maior escândalo que se tem registro na história do
estado.
São R$ 331 milhões, repassados sem licitação, através da FESP-
Fundação
Escola do Serviço Público. Caso ainda obscuro e não totalmente
apurado.
Com maioria na ALERJ, comandada por seu presidente, Jorge Picciani,
homem de confiança da governadora, as coisas não andam no sentido de
serem devidamente apuradas.
O que nos falta é um choque ético, com participação qualificada do
eleitor que, deve valorizar mais o seu voto. Acho que, principalmente,
com a participação da camada mais jovem da população. Acredito que
muita
coisa, a partir daí, poderá mudar.
*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
e-mail: claudiodamiao@pop.com.br