DEMOCRACIA OU MERCADOCRACIA?


Por Marcello Azevedo , secretário de Relações de Trabalho da CUT-RJ


A palavra democracia em sua origem grega quer dizer governo do povo ou eleito pelo povo. O conceito de democracia tem sido usado pelos mais variados agentes econômicos e políticos para tentar justificar os mais variados posicionamentos políticos. Em nome da “democracia” e sua defesa já se praticaram até as piores atrocidades contra povos e nações.

A democracia propalada pelos setores conservadores e pelas elites não tem nada haver com a palavra original. Os setores conservadores querem na verdade se esconder atrás da palavra democracia para defender não o interesse da maioria, mas de uma minoria privilegiada em detrimento do povo (demo em grego). Nenhuma relação com o Democratas (antigo PFL) .

As práticas corriqueiras das nossas elites de todas as espécies talvez fossem mais bem explicadas se fossem chamadas de mercadocracia (governo do mercado) e não democracia (governo do povo). Em nome dessa prática de mercado, tentam construir no imaginário das pessoas que o mercado é a democracia e o único caminho da civilização. O mercado justifica tudo. Quem é contra os ditames mercadocratas é taxado de antidemocrático.

Para os descendentes diretos de Adam Smith, Milton Friedman e Frederick Rayek , a democracia é o mercado . Na mercadocracia todos são iguais na disputa pela sobrevivência e, no melhor estilo Darwin, discursam que o mundo evolui e só os mais preparados evoluem e resistem e os demais perecem. Ou a nova consigna: “consume, logo existe”.

O princípio básico dessa teoria é que se a democracia atrapalha o desenvolvimento da economia, é importante suprimi-la ou como dizia Rayek em sua obra O Caminho da Servidão: “se a maioria da população não garantir o direito dos agentes econômicos de utilizarem da forma que quiserem os seus recursos econômicos, cancelemos a democracia”.

A mercadocracia é o governo do individualismo, do lucro, da exploração direta do homem e da natureza. Mercado não é natural, nem é democrático, nem vive da dita livre concorrência, muito pelo contrário. O mercado vive da exclusão de milhões a nível internacional e os novos mercadocratas tentam se trajar de democráticos. Como se eleito pelos “deuses”, se proclamam os senhores do saber.

A verdadeira democracia é diretamente antagônica à mercadocracia. O governo do povo só é possível com a derrota da visão mercadocrata e seus mitos. O real processo democrático tem que ser centrado no ser humano e não no mercado. Aprofundar a democracia e derrotar a lógica de mercado é uma das tarefas centrais para construirmos uma sociedade realmente justa e radicalmente democrática para todos e todas.