A Democracia made in USA



Marcello Azevedo
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Estamos assistindo a mais uma intervenção “democrática” dos EUA na Líbia. Democracia na versão americana é no mínimo bastante controversa. A democracia interna dos Estados Unidos talvez explique até mesmo a sua versão externa. Os norte americanos usam um sistema eleitoral basicamente bipartidário entre Dois partidos praticamente de centro e centro direita. A eleição é indireta e sem proporcionalidade ou seja a maioria do povo em diversos casos não escolhe o presidente. O voto é feito de forma bastante singular, inclusive por carta. Os americanos podem portar armas, mas não podem votar diretamente, pois o voto é arma mais poderosa da democracia.

A visão de democracia é a do mercado livre e que todos são iguais e devem competir por seu lugar ao sol do Mercado. Quanto à questão do direito a organização dos trabalhadores e de reivindicar a conversa é outra. São muito famosas e cantadas em prosa e verso as práticas antisindicais americanas que preferem a máfia a sindicatos livres e partidos livres. Ainda impera a Lógica do Macarthismo que achava que reivindicar direitos e democracia era coisa de comunista e que greve era um ato antipatriótico e que devia ser reprimido a qualquer preço.

A sociedade americana é realmente uma coisa bastante contraditória. A mesma sociedade que condena uma criança menor de idade que beija outra e a mesma que vibra ao ver suas forças armadas arrasarem países pobres destruindo creches e hospitais e matando e mutilando centenas de crianças, que segundo a mídia americana não são crianças, são na verdade um pequeno erro de precisão militar ou aprendizes de terroristas. Triste sociedade que ama o Rambo e elege o exterminador do futuro.

A política externa é fruto dessa sociedade doente onde o importante não é existir é apenas consumir. Pois se você não faz parte do mercado, não pode fazer parte do Mundo. A política externa e suas versões “democráticas” mudam com o tempo. Aliás, vale ressaltar que quem diz o que é democracia ou ditadura é a visão oficial que é passada e reproduzida inclusive pela nossa mídia.

Vejamos casos emblemáticos da democracia americana. Noriega no Panamá, criado pela CIA para ajudar a conter a “ameaça comunista” e depois virou um grande narcotraficante a ser derrubado e foi. O Iraque e suas armas de destruição em massa e o Ditador Saddam Hussein, O mesmo que foi alimentado pela CIA para enfrentar o Irã e a expansão do Islamismo. Não servia mais ou contrariava interesses virou ditador. Fidel Castro esse então é chamado de tudo. A Líbia tem Um ditador a ser derrubado pela democracia americana, mas quem o colocou lá?

O Estado de Israel quando será obrigado a cumprir as resoluções da ONU? Pois em outros casos os Americanos se avocam defensores da ONU e bombardeiam poderosos estados como o Afeganistão, Iraque. Somália e tantos outros que já sofreram com a democracia americana. O maior modelo de democracia deve ser a prisão de Guantamo onde as pessoas são presas, sem direito a defesa, violados em sua dignidade e torturados até a morte e afins.

As “democráticas nações árabes da Arábia Saudita, Kuwait, Yemem com governos hereditários são exemplos de democracia? A verdade nua e crua é que a democracia americana é a mesma do mercado capitalista ou aquela preconizada por Rayek “se a sociedade não permitir que os entes econômicos disponham como quiserem dos seus recursos, cancelem a democracia”, ou melhor, dizendo democracia e quando eu mando em vocês. Quando vocês não me obedecem viram ditaduras.

* Marcello Azevedo é Geógrafo e Secretário de Relações de Trabalho da CUT RJ