OS NEOLIBERAIS E OS SINDICATOS


por Marcello Azevedo

 

 

 

 

Os primeiros teóricos do neoliberalismo, como Friedrich Hayek, economista alemão da década de 40, identificaram e elegeram logo de cara os sindicatos como os inimigos centrais do desenvolvimento capitalista. Para os neoliberais, os sindicatos, com suas reivindicações salariais e pressões pelo aumento dos gastos sociais, deixavam o capitalismo sem recursos para sua expansão. Portanto, para o crescimento do neoliberalismo era fundamental destruir os sindicatos. No mesmo caminho era fundamental aumentar o desemprego e a precarização do trabalho para enfraquecer os sindicatos.

Nos mesmos ensinamentos, os neoliberais colocavam claro também que o estado devia ser forte para garantir a reprodução do capital e para reprimir os sindicatos, seja por meio do aparato policial ou do Judiciário.

O devaneio neoliberal não parou aí. Em outro escrito, Hayek, o pai do neoliberalismo, chegou a afirmar que se a democracia não garantisse o direito de cada um de dispor de seus recursos da sua forma e interesse, a democracia podia ser cancelada. Para os neoliberais, o mercado é sagrado e nem o Estado, nem a democracia podem se opor a ele.

Thatcher, Reagan e todos os seguidores do neoliberalismo colocaram o receituário em prática direitinho, com repressão total dos movimentos dos trabalhadores. FHC e os tucanos também, como vimos na repressão a todas as greves naqueles oito anos, principalmente a dos petroleiros em 1995. Serra não faz diferente do seu mentor intelectual FHC ou qualquer outro neoliberal empedernido: a repressão aos professores de São Paulo é uma amostra clara do projeto que a candidatura tucana representa.

Em outubro, temos que impor uma derrota ao projeto neoliberal representado pela candidatura Serra. A volta do PSDB representa a volta do neoliberalismo, ataque aos sindicatos e a nossos direitos e o fim da democracia. Precisamos eleger uma candidatura comprometida com a superação do neoliberalismo e com uma plataforma política centrada no povo, e não no mercado. A tarefa central na presente conjuntura, para nós, cutistas, é organizar os trabalhadores na construção da plataforma da classe trabalhadora e sermos fundamentais na derrota dos neoliberais e de seus candidatos.

Marcello Azevedo é secretário de Relações do Trabalho da CUT-RJ