Não ouço, não vejo, não falo ou, a educação como prioridade Declarações de ex-secretário tidas como racistas ainda repercutem na cidade

 

*Cláudio Damião

 

Publicado no jornal A Voz da Serra

 

Não há quem não concorde com a idéia de que a educação deva ser tratada como prioridade, como ação primeira dos nossos governantes.

Oferecer educação de qualidade, escolas equipadas, alunos estimulados, professores preparados e motivados e, na outra ponta, pais e responsáveis pelos alunos participando da vida escolar, seria o melhor dos mundos. Mas, a realidade não é bem essa. É fácil de se perceber que os estudantes estão aprendendo pouco e saem das escolas com um nível de formação muito baixo, o que, em vários casos, repercute nos cursos universitários, jogando profissionais despreparados em busca de espaço no mercado de trabalho.


Por outro lado, temos um distanciamento cada vez maior das famílias junto ao ambiente escolar, seja em razão do casal trabalhar fora, ou mesmo por desinformação e desinteresse ao considerar que a tarefa não é conjunta - família/escola - mas tão somente da escola.


Outros componentes podem ser somados aos citados acima para se chegar ao caos que há anos se instalou na educação, como a política de um “governante faz e o outro desfaz”, sem levar em conta os danos econômicos e sociais de seus atos, e quebrando uma seqüência de trabalho que poderia ser virtuoso.


Não ouso querer fazer uma análise cientifica do processo, mas me arrisco a uma análise empírica como cidadão que quer ajudar a mudar e construir novos paradigmas.


Percebi na Secretária de Educação, Ledir Porto, na Sessão Específica que foi realizada na Câmara Municipal sobre o tema, o desejo de realizar mudanças. Fiquei mais otimista.


Acredito na vontade humana de fazer a diferença, de remar contra a maré, de em nome do interesse comum, do bem comum, frustrar interesses particulares, individuais, menores.


É o caso de se buscar novos métodos de nomeação para as Direções escolares, que passem pelo mérito, pela capacidade técnica e pelo bom desempenho como educador e nunca pela indicação de vereadores ou outros agentes políticos, que formam seus feudos de poder em detrimento da qualidade de um projeto pedagógico. Ainda que algum indicado preencha estes pré-requisitos, não estou a julgá-los, não seria este o caminho adequado para buscar o rumo da melhor escola, do melhor saber, do melhor educar. Envolver a comunidades escolar, professores, pais e alunos neste processo me parece o mais adequado.


Melhor pensarmos desde já sobre isso, para alcançarmos um melhor índice de avaliação escolar na próxima pesquisa IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e mostrar a nossa capacidade de reagir e construir novos paradigmas, afastando e contrariando a passividade dos três macaquinhos: “não ouço, não vejo, não falo”, tão usual em nossa sociedade.

 



*Vereador (PT) e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail:
claudiodamiao@pop.com.br 



 


Publicado no jornal A Voz da Serra
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