28 de abril, dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho



 por Ricardo Lontra*




Desde 1995, o dia 28 de abril vem sendo lembrado. Começou no Canadá e logo se espalhou por diversos países, por iniciativa de sindicatos, federações, confederações locais e internacionais, como a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOLS).

A Organização Internacional do Trabalho – OIT estima que, no mundo, anualmente, entre mortes diárias – três a cada minuto – Trezentos e sessenta mil, em razão de acidentes de trabalho – um milhão e seiscentos mil, em razão de doenças relacionadas ao trabalho. Doze mil desses trabalhadores mortos são crianças.

Isso representa mais do que o dobro das mortes ocorridas em razão de guerras e epidemias como a AIDS. A exposição dos trabalhadores a agentes cancerígenos, presentes em pesticidas e em muito outros produtos em suas jornadas de trabalho está a origem de várias doenças que levam à morte após período de incubação. Infelizmente ainda não temos a fiscalização necessária na maioria dos países que fazem parte da OIT. Boa parte dos acidentes ocorre por falta de planejamento e manutenção dos equipamentos utilizados pelos trabalhadores.

Um acidente no trabalho causa uma série de transtornos para todos

Para a empresa que fica sem o trabalhador e tem que arcar com as despesas conforme legislação e com isso fica com a imagem prejudicada.

Para o empregado que pode ter seqüelas futuras do acidente, além do sofrimento físico e mental.

Para a família do empregado que terá que dispensar tempo e cuidados especiais ao membro familiar acidentado.
Para a sociedade que em alguns casos deve fornecer remédios, assistência hospitalar ou aposentadoria por invalidez.

A saúde depende de vontade política-social de se construir um mundo melhor, de pensar e repensar a nossa prática assistencial, de recriar modelos centrados na prevenção de riscos à saúde pública e de gestão ambiental.O compromisso social do direito ao trabalho e a geração de renda e de estrutura governamental que promova o avanço necessário ao setor público para que de fato consiga atender as necessidades de saúde da população brasileira.

A saúde é um assunto tão importante que não pode ficar apenas nas mãos dos profissionais da área. A luta por saúde é por uma permanente melhoria da qualidade de vida e deve envolver todos os setores, como o ambiente de trabalho, a educação, o meio ambiente, o saneamento e outros, voltados para a diminuição das desigualdades e para a luta pela cidadania. Afinal o que todos nós buscamos é ser plenamente saudáveis e felizes.


* Ricardo Lontra é secretário de Saúde e Condições de Trabalho
 do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo.