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Epidemiologia e Globalização Mais de Cinco Bilhões de pessoas no planeta são consideradas mau negócio
Dois fenômenos são associados à globalização, um objetivo e outro subjetivo. O objetivo, é a face mais visível, que gerou por um lado um desenvolvimento cientifico e tecnológico jamais visto e, por outro, altos índices de desemprego e sub-emprego (fenômeno mundial,) com trágico impacto na saúde das populações. A face subjetiva pode ser percebida através dos conceitos e pressupostos ideológicos neoliberais, onde não há lugar para todos, criando assim um enorme contingente mundial de excluídos. A palavra globalização tem sido usada de forma imprecisa e dúbia ao longo dos anos. O que vem a ser, então, esse monstro para uns e panacéia universal para outros? Ou ainda, de que maneira esse fenômeno intercepta nossa sociedade e qual é o seu real impacto na vida e na saúde da população? Globalização significa pura e simplesmente integração de mercados, mais especificamente de três tipos: comercial, financeiro e produtivo. Entre 1950 e l973, o mundo experimentou o crescimento econômico mais rápido da história da humanidade, com baixas taxas de desemprego, progressiva redução da jornada de trabalho e aumento dos direitos sociais. A partir daí, uma sucessão de crises financeiras e econômicas nos países desenvolvidos (principalmente a crise do Sistema Monetário Internacional e a crise do petróleo, em 1974) acarretou uma drástica mudança na economia dos países: Dizemos que o gênio da lâmpada foi libertado, e passou a mover-se ao sabor de seus interesses imediatos (uma metáfora bem-humorada da liberalização do capital) priorizando-se, assim, o desenvolvimento econômico em detrimento do social. No final da década de 80,uma nova geração de economistas defendia a menor ingerência do Estado e a liberação da economia. O principal argumento desse grupo era que as mudanças tecnológicas levariam à erosão de obstáculos geográficos e políticos, e essa globalização- aí está a palavra em sua acepção primitiva proporcionaria um crescimento muito rápido do mundo inteiro. O que se observa porém, é que esse processo não é produtivo. Não há quase crescimento real de investimento internacional. O fenômeno da globalização é, na prática, puramente financeira e improdutiva, e não um fenômeno comercial, já que o investimento direto internacional é centrado em alguns países, basicamente megamercados o Brasil é um deles enquanto grandes regiões do mundo não são interessantes para os investidores. O mais triste, é saber que pouco mais de 01 (um) Bilhão de pessoas em todo o mundo fazem parte desse processo. Mas existem cerca de mais de 5,0 Bilhões de pessoas alijadas do progresso e do sistema, uma imensa população não financiável, considerado mau negócio para os investidores. O processo de GLOBALIZAÇÃO
impôs aos habitantes do planeta a perplexidade de viverem num
mundo de possibilidades máximas e felicidades mínimas.
A construção de uma Epidemiologia da esperança,
fazendo-se valer na prática uma participação e integração
da maioria desses excluídos com críticas construtivas para
uma nova relação de valores entre os povos seria uma grande
alternativa de se enfrentar o processo de globalização,
no sentido de se chegar a uma Terra mais humana, onde o bem comum seja
o principal objetivo a ser alcançado. Secretaria de Saúde
e Condições de Trabalho. |