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Intervalo para um cafézinho
Existem outros fatores igualmente importantes, sendo um deles a tensão. "Se o músculo permanece muito tempo sob tensão, como quando alguém carrega peso, pode surgir uma inflamação." De qualquer forma, o papel da repetição dos movimentos não pode ser minimizado. "Com a automatização, as empresas conseguiram máquinas cada vez mais rápidas", só que isso fez com que dobrasse ou até mesmo triplicasse o número de movimentos que os funcionários fazem. É evidente que essa sobrecarga cobra seu preço. Estigma - Há outros motivos que justificariam a troca do nome de LER para Dort. "A doença ficou como um estigma". Caso a pessoa ficasse por mais de 15 dias em licença médica, automaticamente seria registrado na carteira profissional. Algumas empresas ainda fazem exames de admissão para afastar candidatos com o problema. Uma terceira razão para a mudança é que as Dort não são propriamente lesões. "São alterações, distúrbios". Lesão pressupõe algo físico. E os sintomas das DORT são subjetivos. Os exames muitas vezes não registram nada, mas a pessoa sente dor e fraqueza". Este aspecto invisível das Dort faz com que haja muito preconceito em relação à doença. "Está fazendo corpo mole", "é frescura" , "isso passa" são algumas das frases ouvidas pelas vítimas. "Pessoas que não conhecem o problema acham que é bobagem, mas há perda de força muscular e da função articular". Há muitos funcionários que escondem o problema com medo de perder a produtividade e o emprego. "Isso só aumenta a gravidade da lesão". Há desconfiança da chefia e dos próprios colegas. Fica um clima ruim. Acham que você está faltando porque não quer trabalhar. A nossa categoria é a mais atingida pelas LER/Dort. Uma pesquisa feita pelo SEEB-SP em 2006 mostrou que 01 (um) em cada 04 (quatro)l bancários tinham algum tipo de LER/Dort. O mobiliário inadequado é uma das causas principais da doença. O padrão usado no Brasil é o americano e europeu, que não se adapta às medidas médias do brasileiro. Algumas dicas para quem passa o dia debruçado no computador é apoiar os dois pés no chão ou num apoio; não escrever com o teclado na borda da mesa e sim recuado; manter o teclado à frente do usuário; pôr um apoio de pulso acolchoado e usar cadeira com apoio para os braços. Mas não basta trocar o mobiliário e ajustar a postura. Os aspectos emocionais também influenciam nas LER/Dort. A maioria dos estudos mostra uma relação direta entre a organização do trabalho e o surgimento e agravamento das doenças. Ou seja, questões como pressão abusiva de metas impossíveis de alcançar, hora extra, horário e interrupção têm peso. A NR 17 cuida da Ergonomia e Condições de trabalho estabelecendo padrões que permitem a adaptação do bancário ao seu ambiente profissional, sem deixar de haver uma pausa de 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados, garantindo-se que não haja aumento do ritmo ou volume de trabalho em razão do intervalo. Infelizmente em sua prática as empresas não cumprem essa NR tão importante para ao menos minimizar essas lesões que se tornaram uma grande epidemia em nossa categoria bancária. Espreguiçar Tente por vezes se desligar do que está fazendo. Vale a pena ir tomar um cafézinho ou se espreguiçar. " O importante é assumir outra postura. O
corpo humano precisa sempre de movimento, de mudança, de expressão.
Preste atenção quando ele fala para você mudar de
posição, respirar profundamente, relaxar, esticar as pernas,
mexer o pescoço, fazer uma pausa no trabalho. Lembre-se, a melhor
postura é aquela que deixa você confortável e permite
liberdade de movimentos. Ouvindo e atendendo às necessidades do
seu corpo, você estará ajudando a prevenir lesões
mais sérias. * Ricardo Lontra é
secretário de Saúde e Condições de Trabalho |