Nestas
terras da Fazenda do Morro Queimado, na Freguesia de São
João Batista, Vila de Nova Friburgo, a natureza foi generosa
e nos brindou com um pedaço do paraíso. Belas montanhas,
verde exuberante, fontes, rios, lagos, nascentes, corredeiras,
serras, diversidades de flora e fauna, e um clima de fazer inveja.
Já dizia Humberto El-Jaick, no soneto “Lenda de Friburgo”:
“Conta
a História que Deus, supremo e inigualável,
Quando o mundo pintou, com divino pincel,
Sentiu necessidade extrema e inadiável
de colocar na Terra um pedaço do Céu (...)”
Outros
versos apaixonados também foram dedicados a esta Terra
por J.G. de Araújo Jorge, bem como por vários outros
poetas que aqui nasceram ou encontraram pousada.
Mas, não basta apenas cantar a beleza do lugar, é
preciso contar a história da sua gente, com seus erros
e acertos, que também são parte desta história
e não podem ser esquecidos ou desconsiderados. Pois de
que vale a história se ela não for contada, escrita,
interpretada? Se não trouxer à tona as nossas raízes,
os nossos valores? E como fazer isso se não houver investimento
em educação, se não houver o sonho de educar,
de dar as primeiras letras, de ensinar, de lembrar os esforços
dos que vieram antes de nós?
Lendo o livro da professora Maria Ignez Breder Barreto, encontrei
este desejo de ensinar, de educar, já na formação
da nossa “Vila Suiça” (mas também terra de índios,
negros e portugueses), com a criação da primeira
escola da colônia, com aulas ministradas pelo jovem professor
Boaventura Bardy, que não recebia nada para isso.
O livro é resultado de uma pesquisa sobre os “Patronos
das nossas escolas estaduais e municipalizadas”, e traça
uma pequena biografia de cada um deles.
Nas suas páginas estão, lado a lado, clérigos,
destacados políticos, médicos, professores, lavradores
e um operário, símbolo da resistência da luta
operária e vítima da violência policial: Lícinio
Teixeira.
O trabalho da professora Maria Ignez ainda não foi publicado.
Para tanto, precisará de apoio.
Que este apoio venha de todos aqueles que acreditam na força
da educação, assim como, no passado acreditaram
aqueles que foram homenageados como patronos das escolas. Alguns
deles, mesmo sendo simples lavradores, no seu tempo, fizeram a
sua parte, deixando-nos uma singela lição de sabedoria.
*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br
Publicado no jornal Serrano on-line em 21.05.2008
http://www.jornalserranonline.com.br/noticia-claudiodamiao-024.html
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