27 de Julho
Dia Nacional de Prevenção aos Acidentes de Trabalho



 por Ricardo Lontra*


 

O dia 27 de julho será uma boa oportunidade para que patrões e trabalhadores façam uma reflexão do assunto “Segurança no Trabalho e também no âmbito da qualidade de vida para todos”.
 

Doenças ocupacionais como LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos – Distúrbios Osteomusculares Relacionado ao Trabalho) e também as Psicossomáticas (Saúde Mental) como o stress e a síndrome do pânico são facilitadores para a ocorrência de acidentes de trabalho mais graves, principalmente quando não tratados a tempo. 

Um levantamento estatístico feito pela Previdência Social mostra que cerca de 70% dos casos registrados são frutos de lesões ou distúrbios relacionados ao cotidiano do dia a dia nas funções laborativas destes trabalhadores, deixando um percentual de invalidez anualmente de cinco mil trabalhadores, apenas no mercado formal. 

Nossa legislação prevencionista é obsoleta. Embora o País tenha “evoluído” no quesito prevenção de acidentes (não lidera mais os ranking mundiais) muita coisa ainda há de ser feita para que vidas não sejam perdidas tão brutalmente. 

A cada 3(três) minutos morre um trabalhador! 

Segundo a Organização mundial de Saúde (OMS) cerca de 150 milhões de trabalhadores são acidentados a cada ano. Do total, 250 mil morrem! Assim fica estabelecida uma macabra performance: ocorre no planeta uma morte a cada três minutos e cinco acidentes a cada segundo.

Muitos Empresários e Banqueiros sem escrúpulos, com vistas tão somente para seus lucros, deixam os trabalhadores “a própria sorte”, não investindo em equipamentos de proteção individual e muito menos na infra-estrutura para minimizar estes acidentes. Perde o País, que fica condenado a conviver com números tão vergonhosos que muito mais do que dados numéricos significam crianças órfãs que perdem o pai ou a mãe enquanto estes buscam o sustento da família, esposas ou maridos que acabam ficando ainda mais sem esperança e perspectivas para o futuro.

Companheiros é preciso resgatar o verdadeiro papel do trabalho na vida das pessoas e das organizações, como fator relevante na produção de saúde e bem estar. O trabalho assalariado deve ser duplamente gratificante, oferecendo condições de subsistência e a sensação do prazer de ser útil. O mais difícil será reverter o quadro atual de recessão, que coloca uma espada em cima da cabeça dos trabalhadores de todos os níveis. Diante a crise, atualmente o maior desencadeador dos problemas de saúde é o medo da perda do emprego, construindo uma enorme insegurança e conseqüentemente as doenças ocupacionais.


* Ricardo Lontra é secretário de Saúde e Condições de Trabalho
 do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo.