Nossas montanhas: patrimônio de todos


 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

      

 





As montanhas que cercam Nova Friburgo são como muralhas a nos proteger. Por onde quer que andemos, nos limites do município, lá estão elas, impávidas, altaneiras, compondo o belo quadro paisagístico que a mão Divina esculpiu e nos presenteou.
São gigantes de pedra apontados para o céu, plantados entre as matas, formando encostas, nascentes, mirantes. Torres de pedra, que os homens escalam tentando conquistar as alturas, de onde se vê a cidade crescendo e serpenteando por entre os vales, numa beleza indescritível.
Lages de pedra que resistem ao fogo das queimadas, muitas vezes criminosas; aos desmatamentos nos sopés de suas bases, por interesses especulativos. Que suportam o peso dos anos, como se o tempo não passasse, mas que não conseguem resistir à agressão dos homens. Grandiosas, porém indefesas ao furor humano.
Imperador, Catarinas, Caledônia, Pedra Riscada, Três Picos, Morro da Cruz, Cão Sentado, dentre outras, não são apenas montanhas; são parte de um conjunto arquitetônico natural. Patrimônio de todos os que habitam esta cidade e das futuras gerações que nos sucederão.
Portanto, nos cabe o dever, nesta nossa curta passagem pela vida, de preservar o que nos foi legado e transmitir aos jovens o amor pela nossa terra, através de uma cultura de respeito à natureza e de convivência harmônica.
Por isso, me dói ver, há décadas, a cotidiana destruição da montanha de Olaria. Uma cárie enorme aberta numa bela montanha, que vai corroendo silenciosamente as suas paredes, tentando furar as suas entranhas. E, calados, vamos assistindo a esta mutilação.
Os interesses econômicos não deveriam prevalecer sobre as questões que afetam a toda a sociedade. A desfiguração de uma montanha, ato irreparável, numa vista frontal para a cidade, não deveria ser permitida.
Ao que parece, a cárie aberta na montanha se integrou à paisagem urbana, como algo supostamente normal. Talvez fruto da nossa passividade, cujos olhos já se acostumaram ao que vêem e, resignados e irreflexivos não contestam e nem oferecem mais nenhuma resistência.

*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br




Publicado no jornal Alternativa nº 72 – 05/08
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