A violência tem sido uma marca do nosso tempo. Praticada
de várias formas, sob vários matizes: contra as
mulheres, as crianças, os negros, as empregadas domésticas,
os índios, os gays, etc...
Queimam-se pessoas em pontos de ônibus sob a alegação
de “serem índios”; ou queimam-se meninas de rua, por vingança.
Uma simples confusão no trânsito pode virar homicídio.
Um desentendimento entre vizinhos leva às vias de fato.
Pitboys espancam homossexuais por puro sadismo e intolerância.
Jovens de classe média alta agridem empregada doméstica
em ponto de ônibus ao “confundi-la” com uma prostituta.
Como se fosse algo normal atacar e agredir prostitutas, homossexuais,
negros, índios, mendigos ou menores abandonados.
Há ainda a violência da exclusão social, da
falta de emprego, de moradia, de saúde pública,
de habitação, de escola.
A violência virou banalidade quando se liga a TV e se ouve
dizer que morreram 10 pessoas, resultado do confronto entre policiais
e bandidos, nas favelas do Rio. E, na conta de “bandidos”, vão
também os pobres, baleados por engano, e as pessoas atingidas
pelas balas perdidas. Desde janeiro, 2 mil pessoas foram assassinadas
no estado, de acordo com dados da Secretaria de Segurança
Pública.
Virou banalidade ouvir falar que as milícias, formadas
por maus policiais, ocupam o lugar das autoridades nos bairros,
e que tomam para si a tarefa de ser, naquele local, o Estado,
coagindo e constrangendo os moradores.
E a violência que nos parece distante, bate à nossa
porta, e não vemos, ou fingimos não ver. A tragédia
vira atração de TV e, depois de alguns dias, cai
no esquecimento.
Na nossa “Princesinha da Serra” as coisas também não
vão bem. Onde deveria estar a ação social,
a educação, a atenção ao menor, o
comércio de drogas vai se organizando e dominando. Já
há locais em que a polícia, ao tentar entrar, é
recebida à bala.
O furto a bancos[1] em nossa região, na calada da noite,
virou sensação. Em Nova Friburgo, em seis meses,
foram quatro furtos. Ainda bem que sem deixar vítimas.
Mas há várias vítimas de assalto quase todos
os dias nos registros policiais da cidade. Além de furtos
de veículos, invasão de residências, agressões,
assaltos a mão armada (só na rua onde moro já
ocorreram 3 casos este ano) e assassinatos, como o que aconteceu
com Carlos Rodrigues Ramos, no dia 09 de maio, ao reagir a um
assalto.
Estes fatos devem chamar a nossa atenção. Precisamos
avaliar não só as conseqüências, mas
as causas de tanta violência. Buscar caminhos para resolver
tais conflitos.
Não podemos e nem devemos viver a sociedade do medo, do
trauma, da insegurança. Muito menos da indiferença.
*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br
Publicado no jornal A Voz da Serra do dia 03.06.08
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[1] CEF: Ag. Nova Friburgo (dezembro/2007) e Ag. Conselho Paulino
(abril/2008); Bradesco: Ag. Nova Friburgo (outubro/2007) e Ag.
Alberto Braune (abril/2008); Banco do Brasil: Ag. Cordeiro (janeiro/2008)
e Ag. Sumidouro (abril/2008).