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Um mal invisível que afeta a alma |
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As doenças profissionais, conhecidas como LER/DORT, não sugiram agora, com o advento dos computadores. São antigas e afligiam os trabalhadores nas atividades insalubres e repetitivas nas esteiras de produção desde muito tempo. A diferença é que não se falava sobre o assunto, não se conhecia suas causas como hoje conhecemos. Não havia legislação de proteção à saúde do trabalhador, muito menos se falava em prevenção. Embora estas doenças afetem a vida de milhares de pessoas, de trabalhadores dos mais diversos ramos, profissionais liberais, donas de casa e até estudantes, ainda não atentamos para a gravidade do quadro. Como é uma doença a qual, apesar do sofrimento causado, sua manifestação é invisível aos olhos, as pessoas padecem, além da dor física, também da discriminação que sofrem, em vários casos, dos colegas de trabalho, por perderem potencialmente a força e sua capacidade laborativa. Como conseqüência, somada à frustração e a um sentimento de abandono, surge a depressão, para complicar ainda mais o quadro e a recuperação do doente. Segundo pesquisa, no setor bancário, por exemplo, dentro de um determinado universo pesquisado, as patologias mais comumente diagnosticadas foram: síndrome do túnel do carpo (dor no punho) – 18%; epicondilite (irritação dos tendões), tendinite tenossinovites (inflamação e dor nos tendões) igualmente com – 13,3%; síndrome do interósseo posterior (compressão do nervo abaixo do cotovelo), manguito rotator (dor e impotência no ombro) com igual percentual – 9%; bursite (inflamação e dor no ombro) – 4%. Não bastasse a amargura de conviver com a dor, some-se a isso tudo a dificuldade de encontrar amparo junto a alguns profissionais da saúde (são poucos os médicos que preenchem o CAT – Comunicado de Acidente de Trabalho, cujo objetivo é resguardar a integridade e o direito do paciente e pode e deve ser preenchida até em caso de suspeita da doença) e médicos peritos do INSS que, na maioria das vezes, mesmo com o doente apresentando variados laudos e exames, não concede o benefício e/ou o afastamento do trabalho por acidente. Diante disso, a iniciativa do vereador João Thurler deve ser louvada. Ele realizou, no dia 13 de março, uma Reunião Especifica, com o intuito de debater o assunto. Dela participaram o médico da SubDelagacia do Trabalho, Dr. Ebenezer; Dr. Ricardo Garcia, que é um especialista no assunto e assessorou o sindicato dos bancários; Dra. Jamila, Secretária Municipal de Saúde e alguns vereadores. Também estavam presentes representantes dos trabalhadores do setor vestuário, bancário e hoteleiro. Este primeiro passo foi de grande importância e não deve parar por aí. Embora não seja de solução local, é preciso reconhecê-lo como um problema que afeta a todos nós e fazermos a nossa parte, pois os custos financeiros são solidários, querendo ou não todos nós pagamos. Segundo o Ministério da Previdência Social, o país gasta quase R$9,8 bilhões ao ano em aposentadorias especiais e custos com acidentes de trabalho. A lesão por esforço repetitivo, doença de origem ocupacional, responde por 49% dos casos.
Precisamos de formas adequadas e mais humanas na execução do trabalho
se quisermos diminuir estes custos. Prevenção constante e melhoria nas
condições do ambiente de trabalho são caminhos, mas não os únicos
*Presidente do Sindicato dos Bancários
de Nova Friburgo
"Em
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