Lavando as mãos


 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

      

 

 

 

Bastou apenas 30 minutos de chuva, no início do mês de dezembro, para que o centro da cidade fosse novamente inundado. Foram chuvas rápidas, que pegou a todos de surpresa. Os estragos não se restringiram apenas ao centro da cidade, mas ficou limitado a um raio menor, se comparado ao que ocorreu no início deste ano, quando 11 pessoas morreram. Desta vez, algumas casas foram inundadas, e os moradores perderam seus bens. Mas não houve vítimas fatais.
No entanto, o que ocorreu chama a atenção para o que já venho denunciando há algum tempo: quase nada foi feito pelo Poder Público para minimizar os estragos provocados pelas chuvas do início do ano e para recuperar o que foi perdido. E o pior: várias famílias, sem outra opção, retornaram para as áreas de risco.
Se os mesmos trinta minutos de chuva tivessem caído em Rio Grandina, por exemplo, teria havido uma tragédia de grandes proporções. Alguns outros bairros, que foram atingidos da vez anterior, provavelmente teriam sido devastados de vez.
Estou profundamente preocupado com a sorte dessas famílias, que tiveram as suas casas destruídas ou classificadas como em situação de risco. Como pouco foi feito, e a cidade não se preparou para o pior, novas chuvas e temporais com a ocorrência de quedas de barreira, inundação, trasbordamento do rio, poderão ocorrer, com resultados ainda mais desastrosos.
Quase um anos depois da tragédia a prefeitura não construiu uma casa popular sequer. O orçamento público para o ano de 2008 foi aprovado sem que os vereadores propusessem a alocação de recursos para a área de habitação. Em compensação, os recursos para a Câmara aumentaram de R$4,8 milhões para R$7,3 milhões nesta legislatura. Dinheiro de nossos impostos, que poderia ser usado de forma mais adequada.
Ao que tudo indica, a maioria dos vereadores resolveu lavar as mãos para o que está acontecendo, dando as costas para os que mais precisam. Preferiram manter a proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos pela prefeitura. Abriram mão da sua prerrogativa de legislar, para agradar ao Executivo. Afinal, há o sonho de manterem-se nos cargos em que estão.
Com as condenáveis práticas políticas que adotam, como o emprego de parentes nos gabinetes e o loteamento de cargos públicos, não será difícil atingirem seus objetivos. Até porque, se estão onde estão, deve significar que uma parcela da população concorda com seus métodos. Estes, assim como os vereadores, preferem lavar as mãos para o que está ocorrendo. Até que um dia possa ser tarde demais para reclamarem por mudanças.


*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br