Bastou
apenas 30 minutos de chuva, no início do mês de dezembro,
para que o centro da cidade fosse novamente inundado. Foram chuvas
rápidas, que pegou a todos de surpresa. Os estragos não
se restringiram apenas ao centro da cidade, mas ficou limitado
a um raio menor, se comparado ao que ocorreu no início
deste ano, quando 11 pessoas morreram. Desta vez, algumas casas
foram inundadas, e os moradores perderam seus bens. Mas não
houve vítimas fatais.
No entanto, o que ocorreu chama a atenção para o
que já venho denunciando há algum tempo: quase nada
foi feito pelo Poder Público para minimizar os estragos
provocados pelas chuvas do início do ano e para recuperar
o que foi perdido. E o pior: várias famílias, sem
outra opção, retornaram para as áreas de
risco.
Se os mesmos trinta minutos de chuva tivessem caído em
Rio Grandina, por exemplo, teria havido uma tragédia de
grandes proporções. Alguns outros bairros, que foram
atingidos da vez anterior, provavelmente teriam sido devastados
de vez.
Estou profundamente preocupado com a sorte dessas famílias,
que tiveram as suas casas destruídas ou classificadas como
em situação de risco. Como pouco foi feito, e a
cidade não se preparou para o pior, novas chuvas e temporais
com a ocorrência de quedas de barreira, inundação,
trasbordamento do rio, poderão ocorrer, com resultados
ainda mais desastrosos.
Quase um anos depois da tragédia a prefeitura não
construiu uma casa popular sequer. O orçamento público
para o ano de 2008 foi aprovado sem que os vereadores propusessem
a alocação de recursos para a área de habitação.
Em compensação, os recursos para a Câmara
aumentaram de R$4,8 milhões para R$7,3 milhões nesta
legislatura. Dinheiro de nossos impostos, que poderia ser usado
de forma mais adequada.
Ao que tudo indica, a maioria dos vereadores resolveu lavar as
mãos para o que está acontecendo, dando as costas
para os que mais precisam. Preferiram manter a proposta orçamentária
dentro dos limites estabelecidos pela prefeitura. Abriram mão
da sua prerrogativa de legislar, para agradar ao Executivo. Afinal,
há o sonho de manterem-se nos cargos em que estão.
Com as condenáveis práticas políticas que
adotam, como o emprego de parentes nos gabinetes e o loteamento
de cargos públicos, não será difícil
atingirem seus objetivos. Até porque, se estão onde
estão, deve significar que uma parcela da população
concorda com seus métodos. Estes, assim como os vereadores,
preferem lavar as mãos para o que está ocorrendo.
Até que um dia possa ser tarde demais para reclamarem por
mudanças.
*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br