O
pernicioso corporativismo existente na Câmara Municipal
de Nova Friburgo é algo impressionante. Sei que não
foi criado hoje. Já se manifestou em outros momentos recentes.
No entanto, é como uma doença degenerativa, que
passou de uma geração para outra. Não sei
exatamente quando começou, mas sei, que nos últimos
anos, esta doença se manifestou algumas vezes, sem que
se buscasse a sua cura. Não houve sequer resistência
ao contagio.
O atual “debate”, se assim o podemos chamar, sobre o “caso Balbi”,
é um exemplo do corporativismo reinante naquela Casa Legislativa.
Os vereadores, sem coragem de tomar uma decisão em defesa
da moralidade pública, não denunciaram o vereador
que está sendo investigado e se encontra em prisão
domiciliar, por quebra de decoro parlamentar. Preferiram, como
poderia dizer, “empurrar com a barriga”. Balbi foi preso em outubro
de 2006 e responde a duas acusações: a de participação
direta na quadrilha que fraudava a concessão de benefícios
do INSS, que, segundo dizem, teria provocado um prejuízo
de R$200 milhões aos cofres públicos, e a de tráfico
de influência.
Ao que me parece, havia material mais do que necessário
para o pedido de cassação do mandato do vereador
pela Câmara, que, misteriosamente, não o fez.
O mais engraçado é que, segundo os jornais, os vereadores
pressionaram o vereador a pedir a sua renúncia para não
“manchar o nome da Câmara”. Mas, espere aí, não
seria exatamente a falta de decisão dos vereadores em cassar
o mandato do Balbi por quebra de decoro parlamentar que estaria
manchando o nome da Câmara? A sugestão de que ele
renunciasse para não perder os direitos políticos
já cheira a má fé com a opinião pública,
que, escandalizada, espera punição para os crimes
cometidos.
Mas este não é um caso isolado, já houve,
em passado recente, dois casos de quebra de decoro parlamentar
que não deu em nada. Ou melhor, foram varridos para debaixo
do tapete. Um deles foi o escândalo das filmagens, que revelava
um esquema em que vereadores cobravam troca de favores para votar
favoravelmente aos projetos do Executivo. Um outro foi o caso
de um vereador que foi denunciado por tomar parte do salário
de um dos seus assessores. Os membros da Câmara, em defesa
do corporativismo, nada fizeram.
O que se espera do Legislativo é uma ação
dos vereadores em resposta aos anseios da opinião pública.
O que se espera são respostas rápidas, ações
consistentes, punição para os que andaram fora dos
trilhos. A falta destas ações é que macula
a imagem do Legislativo local. Assim como esperar que algum cidadão
peça a abertura de uma Comissão Processante ou sugerir
a renuncia do vereador. Isso deixa claro que a Câmara não
quis tomar para si a responsabilidade de punir um dos seus membros.
Qualquer vereador poderia pedir a sua cassação.
Eu fico pensando se tudo isso não passa de um jogo de cena,
de uma piada. Se de fato for uma piada, eu peço, Srs. vereadores,
que contem outra, porque essa, até agora, não teve
a menor graça.
Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamião@pop.com.br
Publicado no Jornal Alternativa Edição 69 fev.08