Todo cuidado é pouco


 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

      

 

 

 

Não é nada fácil remar contra a maré. Mas é isso que temos feito na luta
contra a indiferença dos bancos aos direitos dos clientes e usuários.
Assim também tem sido no que diz respeito às condições de trabalho dos
bancários.
Esta é uma luta que se arrasta há muito tempo. Cada passo dado é uma
conquista. Pode ser que as pessoas não se lembrem, afinal, no corre-corre
da vida, há outras coisas mais importantes com que se preocupar, além de
como eram as agências bancárias. Não faz muito tempo, não havia portas de
segurança, rampas de acesso, bebedouros de água filtrada, senhas,
cadeiras, banheiros, e o ambiente interno de trabalho causava muito mais
danos à saúde do trabalhador. Podemos afirmar, com segurança, que muita
coisa mudou e melhorou. Não por vontade dos bancos, mas por nossa
incansável batalha junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho,
Bombeiros, etc...
Insistimos muito na regulamentação do Procon, e este, embora
regulamentado, carece de melhor estrutura física e contratação de fiscais.
Como membros do Conselho de Defesa do Consumidor, temos feitos estas
cobranças ao Poder Público.
Por outro lado, as agências não estão ainda melhores porque muitos
clientes ainda não se conscientizaram de que a relação delas com o banco é
uma relação de consumo. Portanto, enquadrada no Código de Defesa do
Consumidor. Vale ressaltar que o Sindicato dos Bancários é apenas um
parceiro e não órgão fiscalizador, tarefa que cabe, como já disse, ao
Procon.
Alguns clientes, cientes dos seus direitos, têm buscado na justiça, nos
juizados especiais, indenizações por danos morais contra cobranças
excessivas, pelo não cumprimento da lei que limita o tempo de espera nas
filas, dentre outras coisas.
Outra preocupação nossa tem sido com a segurança do bancário e dos
clientes e dos usuários dos bancos. Constantemente alertamos aos que usam
a internet para acessar dados de conta corrente, ver estrato de contas,
fazer transferências, etc., que há quadrilhas especializadas em roubar
senhas secretas, que depois são usadas para zerar a conta da vítima.
Outro golpe muito utilizado é a chamada "saidinha": o bandido fica
observando o cliente usar as máquinas na sala de auto-atendimento e
depois o espera na saída da agência, para aplicar o golpe ou efetuar o
furto. Há situações em que ocorrem atos de violência.
É no final e no início de ano que mais ocorrem golpes, furtos, assaltos
nas portas de bancos. Contra o comércio é mais comum a utilização de
cartões clonados, cheques roubados e o derrame de cédulas falsas.
Portanto, todo cuidado é pouco.
Para quem usa banco no dia a dia, a melhor solução ainda é utilizar os
caixas tradicionais. Além de oferecer mais segurança, gera emprego. Se as
filas não andam, é porque os bancos demitiram demais e não estão fazendo o
seu papel de bem atender aos clientes. Fazem de propósito, para
empurrá-los para as salas de auto-atendimento. Estão preocupados apenas
com os seus crescentes lucros.

*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br


Publicado no jornal A Voz da Serra 05 a 07/01/07