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PERITOS
ARMADOS |
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A
Câmara dos Deputados aprovou em março deste ano o projeto de Lei
6404/2005 que permite aos médicos peritos do Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) o uso de arma de fogo. O projeto será agora
analisado pelo Senado Federal. Em princípio, a idéia era permitir o
uso de armas para auditores fiscais que investigam o trabalho escravo
no Brasil e para agentes públicos que exercem atividades de risco,
cuja autoria é o deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA). Não
é por acaso que a emenda que garante aos médicos peritos do INSS o
uso de armas de fogo é de um parlamentar do PFL, atual DEM: o
deputado federal Moroni Torgan (DEM-CE). Os pefelistas são velhos
conhecidos em criar leis e emendas que prejudicam e constrangem os
trabalhadores. A justificativa dos defensores desta verdadeira “Lei
Bang-Bang” é de que a medida protegerá os 4.800 médicos peritos
de todo o país, já que quatro auditores fiscais foram assassinados
na cidade de Unaí (MG), em 2004. Mais
violência É
evidente que as pessoas de bom senso são contra todas as formas de
violência e que o poder público tem a obrigação de garantir a
segurança dos peritos assim como de todos os cidadãos. Mas os
deputados, em vez de criar leis que contribuam para a paz e a segurança
dos brasileiros, inventam idéias que acirram ainda mais a violência.
Além do mais, é preciso compreender que os trabalhadores brasileiros
são as maiores vítimas na difícil relação com os médicos peritos
e no precário atendimento oferecido pelo INSS. E a medicina, como
qualquer área de atuação, possui maus profissionais. E as exceções
não podem ser motivo para a criação de uma lei absurda que atinge a
todos os brasileiros. A
opinião pública sabe que quem sofre e em alguns casos até morre na
fila do INSS são os aposentados e lesionados. Como se não bastasse a
precariedade e demora no atendimento, os trabalhadores lesionados são,
muitas vezes, humilhados e maltratados por esses maus profissionais
que debocham da doença alheia, colocam em dúvida os atestados de
seus colegas de profissão que comprovam as doenças do trabalho e
fazem o jogo dos patrões, pressionando para que os funcionários
voltem a trabalhar, facilitando inclusive as demissões daqueles que
se encontram com sérios problemas de saúde. Nada justifica a
agressividade, mas quem sofre a maior violência, psicológica e
social, é o trabalhador. E se há esta reação e as pessoas perderam
o controle emocional partindo para a agressão é porque o
descontentamento chegou a níveis intoleráveis. Numa
época em que a sociedade teve um recente debate sobre o desarmamento,
distribuir armas de fogo para médicos não soluciona o problema, mas,
ao contrário, representa um retrocesso pois acirra os ânimos,
aumenta o ódio e põe em risco a vida das pessoas. A
arma do médico Em
vez de criar leis para constranger ainda mais os já tão sacrificados
trabalhadores brasileiros, os parlamentares deveriam, por obrigação,
buscar caminhos e soluções que garantam a segurança pública e
apontem para a paz e para harmonia. Não há idéia mais retrógrada
do que a de combater a violência com mais violência, propagada por
uma elite perversa e preconceituosa. E nós, que moramos num grande
centro urbano, já sabemos que o resultado do recrudescimento das forças
e ações coercitivas é sempre o de uma guerra sem fim. A arma dos médicos
tem de ser o conhecimento científico em defesa da vida e do
compromisso ético e não uma arma de fogo que gere mais sofrimento e
morte. Basta
de violência!
*Almir
Aguiar é diretor do Departamento de Saúde do "Em
cumprimento da Lei de Direitos Autorais |