Por
VINÍCIUS
DE ASSUMPÇÃO
É
bom e importante para o fortalecimento das entidades de defesa dos
trabalhadores que o debate sobre a estrutura sindical esteja em pauta
na mídia e na sociedade. O problema é que a imprensa
tem distorcido a realidade: mostra sindicalistas pelegos que fazem
o mau uso de entidades sindicais sem qualquer representação
como se isso fosse a regra e, de forma equivocada, afirma que a Central
Única dos Trabalhadores (CUT) é “contrária” ao
fim do Imposto Sindical. Essas distorções têm
o único intuito de enfraquecer o verdadeiro movimento sindical,
que historicamente luta pelos interesses e anseios dos trabalhadores.
Precisamos esclarecer a real posição do sindicalismo
cutista. O fim do Imposto Sindical é uma das principais e mais
antigas bandeiras do sindicalismo combativo da CUT. Defendemos que
o trabalhador financie, de forma livre e espontânea, a entidade
sindical que o representa, sem a cobrança de qualquer taxação
obrigatória. Com isto estaríamos invertendo a lógica
de hoje que permite a criação desenfreada de entidades
cujo único objetivo é ter acesso aos recursos do Imposto
Sindical, resultando em mais de 17 mil entidades que, em sua grande
maioria, não defendem os interesses dos trabalhadores. Queremos
um sindicalismo livre e democrático, sem as amarras do Estado,
ou seja, que represente a vontade livre de seus representados. E para
que essa autonomia seja alcançada, o Imposto Sindical deve
acabar, mas não somente para entidades representativas de trabalhadores.
Para isso, é necessário um período de transição
e um prazo de adaptação. Os trabalhadores precisam ter
o direito de escolher a melhor forma de financiamento, que garanta
a existência de suas entidades representativas. Isto levaria
boa parte dos sindicatos pelegos e cartoriais à extinção
e outros a realmente ter de lutar pelos interesses de suas respectivas
categorias.
Precisamos debater uma reforma sindical completa, que passe por uma
nova organização dos trabalhadores por ramo de atividade.
A atual estrutura só serve para nos enfraquecer e dividir.
Hoje, no sistema financeiro, temos mais de 1 milhão de trabalhadores
e somente 400 mil são considerados bancários, os demais
estão precarizados e com péssimas condições
de trabalho e ligados a outras categorias, mas exercendo a função
de bancário. Que esta reforma sindical garanta a democracia
e o verdadeiro papel dos sindicatos, que é lutar por seus representados
e por um Brasil justo. Este artigo foi enviado ao Jornal O Globo e
não foi publicado. Mais uma vez, a imprensa burguesa presta
um desserviço à democracia e impõe a versão
das elites para os fatos e temas políticos e sociais.