DE VOLTA AO COMEÇO


 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

      

Embora o título da campanha seja: “Vereador consciente não emprega parente”, ela não se limita a questionar o nepotismo no Legislativo local. Questiona, também, o emprego de parentes na Prefeitura, sem o devido concurso público, para os cargos em comissão.

Além disso, a nossa campanha, através dos projetos de emendas à Lei Orgânica que apresentamos, propõe reduzir o recesso parlamentar de 90 para 30 dias ao ano, e reduzir o repasse de verbas do orçamento público municipal para a Câmara na mesma proporção da redução do número de vereadores.

Não me canso de dizer que é inconcebível que a Câmara, com 19 vereadores em 2004, tivesse um orçamento anual de R$4,8 milhões, e hoje, com 12 vereadores, tenha um orçamento de R$7 milhões.

Com o dinheiro sobrando, como está agora, os vereadores resolveram ampliar o seu conforto e comodidade, comprando novos carros. E, aí, me permitam mais uma comparação: se a legislatura anterior, com dezenove vereadores, possuía seis carros, esta, com doze, já possuí oito carros (caminhando para o nono), pois, o seu presidente, vereador Sérgio Xavier, publicou edital para a compra de mais um veículo. Coisa pouca: automóvel de passeio tipo Sedan, com motor 2.0, potência mínima de 115 cv/rpm, quatro portas, a gasolina, ano 2007, modelo 2007, na cor predominante preta, ar condicionado, direção hidráulica e, um item super importante, “som”. Afinal, conforto é fundamental. O edital só não explica para quê a Câmara precisa de tantos carros. Acaso seria para o exaustivo trabalho das Comissões Internas, “tão conhecidas do público por seu trabalho incansável em prol da nossa cidade”? Ou, quem sabe, talvez seja para que os vereadores possam, de forma mais eficiente, percorrer todos os cantos de nossa cidade, buscando respostas para justificar o atual aspecto de terra arrasada?

Mas o fato é que estamos relançando a Campanha “Vereador consciente não emprega parente”, que abarca os demais projetos que acima citei. Não podemos nos dar por vencidos, mesmo que os vereadores não queiram levar este tema para o debate em plenário. Ainda que o projeto contra o nepotismo tenha sido acolhido pelo vereador Marcelo Verly  e sepultado na Comissão de Constituição e Justiça, não podemos deixar de questionar a atitude casuística dos vereadores e o seu silêncio sobre o tema. Sabemos que a maioria deles engorda a renda familiar empregando os parentes nos gabinetes, secretarias, escolas etc... Que tenham, pois, a coragem de tratar deste tema publicamente.

Não é justo que a maioria da população dê um duro danado para sobreviver do suor do seu trabalho e a maior parte dos vereadores se valha de expedientes condenáveis para beneficiar familiares. Assim como não é lícito que vereadores tomem parte dos salários dos seus assessores, não é adequado, em nome da moralidade pública e da impessoalidade, beneficiar parentes em cargos por indicação.

Não faz muito tempo, era comum ouvir nas ruas que a Câmara Municipal, na Legislatura anterior, era muito ruim, e que, portanto, deveria ser mudada. Hoje, os sons que vêm da rua, sopram as mesmas críticas.

Que estes sons venham como um tufão, ocupando os espaços por onde passarem e provocando o salutar debate em prol da nossa cidade, soprando para bem longe aqueles que não se dignaram a cumprir adequadamente o seu papel.

 

*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br

 Publicado no jornal SerranoOnline em julho/07