Fidelidade partidária e a necessidade de 
uma reforma política


 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

A decisão do STF sobre fidelidade partidária trás à tona o debate sobre a necessidade de uma reforma política no país.

O que o Congresso Nacional, ao longo do tempo não fez, ficou a cargo do Supremo Tribunal Federal que, provocado, estabeleceu o seu entendimento quanto ao tema.

A infidelidade partidária já vem de muito tempo. Nos acostumamos a ela como nos acostumamos com tantas outras questões que no Brasil passam a ser consideradas como “normais”. São comuns os casos de parlamentares que mal se elegem e procuram uma outra legenda. E, na maioria dos casos, esse procedimento abriga interesses menos nobres. Com raras exceções, é claro.

O troca-troca partidário acontece em toda o país. Veja, por exemplo, o caso de Nova Friburgo, onde a dança das cadeiras é um triste espetáculo que, lamentavelmente, passa desapercebido pelo público. Dos doze vereadores eleitos em 2004, sete já mudou de partido, sem o menor prurido. Fica evidente que as legendas servem apenas como trampolim político. Se não há o menor pudor em abandoná-las é porque não há, nesta relação, compromisso ideológico. Donde deduzo, e arrisco dizer, que não há compromisso com o eleitor baseado em idéias, em princípios programáticos.

Muda-se de partido como quem muda de roupa. Eu me pergunto: falta compromisso com o programa do partido ou falta compromisso com o eleitor? Já nem sei... Muito provavelmente com os dois!

A triste verdade é que toda esta movimentação, que acontece na maioria das siglas partidárias, está sempre relacionada às eleições que estão por vir. Parece um leilão: “quem dá mais? Quem dá mais?”

Os partidos políticos precisam ser legendas fortes, com definições programáticas claras e que se apresentem à sociedade. E não legendas de aluguel, com perfil eleitoreiro, que abriguem hordas de interesseiros.

Em um país como o nosso, com forte nível de despolitização de boa parte das pessoas, torna-se fácil para os políticos mal intencionados e descomprometidos com os interesses gerais da população se abrigarem em legendas partidárias de aluguel. Mas, se não há compromisso, é porque também não há cobrança por parte do eleitorado. E assim vamos vivendo neste quadro de faz de conta. Até que um dia, quem sabe, ganhemos maturidade política suficiente para fazer mudar esta dura realidade.

 

 

*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo

E-mail: claudiodamiao@pop.com.br

 

 

 

 

 

Artigo publicado no jornal A Voz da Serra em 24.10.07