Os factóides da política friburguense |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
Alegando cansaço, desgaste, isolamento e falta de estrutura para continuar exercendo as funções de parlamentar, o vereador Vanor Cosme, da Tribuna da Câmara, anunciou o seu desejo de se afastar da Câmara. Tirando o tom folhetinesco e o “me engana que eu gosto” contido nas entrelinhas da declaração, ela nos remete a uma série de reflexões. A primeira é a de que ele não deixaria a Câmara, em hipótese alguma, criando assim, ao modo César Maia, apenas um factóide, que lhe daria holofotes. A segunda nos faz pensar sobre a (in)dependência dos Poderes. Como pode um vereador estranhamente vir a público reclamar que lhe falta estrutura para trabalhar se esta estrutura lhe é dada pela Câmara? Se vê, na sua fala, que o foco da reclamação é outro, e vai na direção do Poder Executivo. Quanto ao cansaço, vale lembrar que os vereadores gozam de noventa dias de férias. Parece até ironia com os demais trabalhadores. Imagine o cansaço dos comerciários e comerciantes, que ficam atrás dos balcões o dia todo, entre outras categorias de trabalhadores, que trabalham inclusive aos finais de semana?... Como pode se dizer “isolado” quem recebe a tarefa de ser líder do governo e presidente de algumas comissões internas da Câmara? Como reclamar de isolamento se no atual momento a Câmara navega em águas calmas e não sofre com pressões da chamada oposição, nadando de braçada com folgada maioria de vereadores para aprovar os projetos que bem entender? Estas são apenas algumas perguntas que ficam no ar. Podemos até pensar que como suplente, ao assumir a vaga titular, ele tenha aceitado de forma um tanto precipitada, sem uma reflexão mais aprofundada, as condições que lhe foram impostas. Se aceitou, penso eu, não haveria do que reclamar. Afinal, trato é trato! Mas, o que me pareceu mais grave neste quadro, foi a sua declaração de que a titular do cargo, vereadora Jamila, ao assumir a Secretaria de Saúde, teria levado três dos seus assessores. Ora, levado para onde? Para fazer o quê? Pago por quem? Isso é legal? Ficam as perguntas no ar... Não tenho dúvidas da importância da representação política e do importante papel do Poder Legislativo, que deve se pautar pela defesa dos interesses da sociedade. Os fatos citados neste texto, considerando as narrativas do vereador, podem até passar a fazer parte do anedotário local. Como também podem dar ensejo a um aprofundamento do debate quanto ao comportamento dos nossos representantes públicos e suas controversas práticas políticas. *Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail: cláudiodamiao@pop.com.br Publicado
no jornal Alternativa 65 – out/07 |