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Bill Haley - O astro do Rock que virou asteróide |
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Por Sérgio Farias
Segundo
os historiadores, os "avós do rock'n'roll" foram escravos
africanos trazidos para o trabalho forçado na América, de cujo canto de
lamento nasceu o blues. Já no século XX, mais precisamente no início
dos anos 50, a guitarra elétrica entrou no cenário musical e os jovens
brancos do country'n'western começaram a demonstrar grande interesse pela
música negra. Desta aglutinação nasceu o rhythm’n’blues, que foi a
base para o rock´n´roll. Pode-se
afirmar que o rock´n´roll descobriu o elixir da juventude eterna. Mais
de 50 anos após seu nascimento, este estilo musical extrapolou a barreira
do som e continua a empolgar gerações. Seus protagonistas se tornaram ícones
na sociedade, de Elvis aos Beatles, passando pelos Rolling Stones e Velvet
Underground, indo do Sex Pistols ao U2 e mais tarde, por grupos como
Nirvana e Oasis. O pai deste prodígio – e também seu primeiro ícone
– foi o cantor, compositor e guitarrísta Willian John Clifton Haley,
conhecido como Bill Haley, nascido na cidade amercicana de Highland Park,
Michigan em seis de julho de 1925. Country´n´Western Bill
Haley, filho de músicos amadores, começou sua carreira ainda criança,
em 1938, cantando e tocando violão em shows de variedades.
Impossibilitado de ser convocado para a Segunda Guerra Mundial, em virtude
de ser cego do olho esquerdo, ele integrou o grupo Downhomers,
substituindo seu vocalista, onde gravou “She Thought Me To Yodel”, em
1946. Logo depois ele formou o grupo de country´n´western Bill Haley and
The Four Aces of Western Swing, que foi contratado pela Cowboy Records. No
final dos anos 40, o grupo lançou os discos “Too Many Parties and Too
Many Pals”, “Candy Kisses”, “My Palomino and I” e “Stand Up
And Be Counted”, e iniciaram uma turnê de quatro anos pelos Estados
Unidos, dividindo alguns shows com Dizzy Gillespie. Após
um breve período como DJ na rádio WPWA, de Chester, Pensilvânia, em
1949, Bill Haley formou o grupo The Saddlemen e gravou os singles “Deal
Me A Hand”, “Susan Van Dusen”, e “Why Do I Cry Over You”, todos
por gravadoras diferentes, porém nenhum deles obteve sucesso
significativo. Na época, início dos anos 50, cantores brancos de estilo
romântico, como Patti Page e Perry Como, lideravam as paradas de sucesso.
Porém começavam a surgir algumas mudanças no cenário da música pop,
quando Alan Freed, DJ da rádio WJW de Cleveland, lançou o termo rock and
roll e a gravadora Chess de Memphis (que lançou Elvis Presley em 1955)
produziu a gravação de “Rocket 88” com Jackie Brenston and The
Deltacats, cujo rítmo dançante, associado ao rythmyn´n´blues, fez
sucesso e foi um prelúdio para o rock´n´roll. A
Era de Ouro do Rock´n´Roll Bill
Haley and The Saddlemen foram contratados, em 1951, pelo selo Holiday da
Filadélfia, e lançaram cinco compactos no ano, incluindo um disco com o cover
de “Rocket 88”, que vendeu apenas dez mil discos, mas foi um cartão
de visitas para o grupo ser contratado por uma gravadora maior como a
Essex. O grupo então lançou o compacto “Rock The Joint”, em 1952,
que vendeu cerca de cem mil cópias e foi um sucesso regional. O disco
marcou o começo da era do rock´n´roll, facinando os jovens com um rítmo
diferente de tudo que havia sido ouvido antes. Durante a promoção de lançamento
de “Rock The Joint”, Bill Haley e seu grupo estabeleceram residência
em Nova Jersey, por seis meses. O contato deles com a cultura cosmopolita
do lado leste americano fez com que Bill Haley trocasse o violão por uma
guitarra elétrica e seu grupo abandonasse o visual cowboy, oriundo do
country’n’western, e passarem a usar smokings estilizados, se
transformando em Bill Haley and The Comets (Johnny Grande - piano, Billy
Williamson - guitarra, Danny Cedrone - guitarra (falecido em 7/10/1954),
Joey D’Ambrosio - saxofone, Marshal Lytle - baixo e Dick Richards -
bateria). Segundo
o próprio Bill Haley, a partir desta época, a palavra “rock” passou
a surgir com frequência em suas composições. Em
1952, Bill Haley abriu sua própria editora musical e compôs
“Rock-a-Beatin´-Boogie” para o grupo The Treniers e no final do ano,
Bill Haley and The Comets, lançaram o compacto “Stop Beatin´Round The
Mulberry Bush”. Mas
foi em 1953, que eles chegaram a consagração com o single “Crazy Man,
Crazy”, música escrita por Bill Haley e Marshal Lytle, que foi ao décimo
quinto lugar nas paradas de sucesso. Foi o primeiro disco de rock´n´roll
a chegar às paradas da revista Billboard. O grupo ainda gravou mais cinco
discos pela Essex, mas logo foram contratados pela Decca, que em 1954 era
a terceira maior gravadora americana. Lá, Bill Haley and The Comets
tinham como colegas os astros Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, porém
rapidamente o grupo se tornou o maior vendedor de discos da gravadora.
Eles emplacaram os singles “Shake, Rattle and Roll” (o primeiro disco
de rock´n´roll a vender um milhão de unidades), “Dim Dim the
Lights”, “Birth Of The Boogie” e “Mambo Rock”. O sucesso desses
discos fez de Bill Haley and The Comets uma sensação nacional. Durante
o ano de 1954, Bill Haley and The Comets haviam lançado a canção
“(We're Gonna) Rock Around the Clock”, gravada no estúdio Pythian
Temple, em Nova York, e escrita especialmente para o grupo. Como a canção
passou despercebida, seus compositores, Jimmy DeKinght e Max Freedman,
distribuíram cópias do acetato para alguns produtores em Hollywood. Na
primavera de 1955, a MGM lançou o filme “Blackboard Jungle”
("Sementes da Violência" dirigido por Richard Brooks) com Glenn
Ford no papel de um professor em uma escola de alunos violentos. Na
abertura da película, junto aos créditos ouvia-se a canção “(We're
Gonna) Rock Around the Clock” com Bill Haley and The Comets. O ritmo
frenético da canção gerou uma verdadeira rebelião em algumas salas
onde o longa-metragem era exibido, chegando a causar protesto por parte de
políticos e religiosos para censurar a exibição do filme em algumas
cidades americanas. Em abril de 1955, a música foi relançada e após uma
apresentação de Bill Haley and The Comets no popular programa de TV
“The Ed Sullivan Show”, “(We´re Gonna) Rock Around The Clock”
ficou oito semanas consecutivas em primeiro lugar na América do Norte e
estourou no resto do mundo, sendo, até hoje, um dos singles mais vendidos
de todos os tempos com mais de 22 milhões de cópias. Durante
o ano de 1955, Bill Haley foi a primeira e a grande estrela do rock´n´roll
e lançou mais dois singles, que foram direto ao “Top 10” das paradas:
“Razzle-Dazzle” e “Burn That Candle”. Seu primeiro álbum “Bill
Haley and The Comets” foi o primeiro disco de ouro dado para um álbum
de rock. Logo depois, D’Ambrosio, Lytle e Richards deixaram o Comets
para formar o grupo Jodimars. Foram substituídos por Al Rex, Frank
Beecher e pelo aclamado sax tenor Rudy Pompilli, que já havia tocado com
Duke Ellington. Rudy Pompelli foi o grande colaborador musical de Bill
Haley e o coração dos Comets. Bill
Haley and The Comets fizeram uma longa e muito bem sucedida turnê pelos
Estados Unidos e Canadá, com alguns concertos abertos pelos iniciantes
Elvis Presley e Buddy Holly and The Crickets. Para Bill Haley e seu grupo,
1955 foi um ano fantástico. Na capa da edição de 28 de dezembro da
respeitada revista musical Downbeat, que trazia as “Personalidades de
Ano”, estavam Bill Haley junto a Frank Sinatra, Perez Prado e Dave
Brubeck. No
início de 1956, Bill Haley and The Comets lançaram o álbum “Rock´n´Roll
Stage Show” e o single “See You Later Alligator”, que vendeu mais de
um milhão de discos em menos de um mês. Tamanho sucesso chamou a atenção
da Columbia Pictures, que contratou Bill Haley, a peso de ouro, para
estrelar em dois filmes dirigidos por Fred F. Sears, estabelecendo o
primeiro contato do rock´n´roll com a sétima arte: “Rock Around the
Clock” (“Ao Balanço das Horas”, uma das maiores bilheterias de
1956), com participações do DJ Alan Freed e do grupo vocal The Platers e
“Don't Knock The Rock”, (“Rítmo Alucinante”) com a participação
especial de Little Richard. O álbum com a trilha-sonora de “Rock Around
The Clock” alcançou uma grande vendagem ao redor do mundo. Aproveitando
a promoção dos filmes e dos singles “R-O-C-K”, “The Saints Rock´n´Roll”,
“Rip It Up” e “Rudy´s Rock” (dedicado a Rudy Pompelli), Bill
Haley and The Comets embarcaram em mais uma grande turnê com os grupos
The Platters e Frankie Lymon and The Teenagers. Foi a primeira grande turnê
reunindo vários astros do rock´n´roll, que aquela altura já contagiava
a juventude ocidental e estimulava a aparição de vários outros
roqueiros como Gene Vincent e Jerry Lee Lewis. Bill
Haley foi o primeiro roqueiro a enriquecer com ritmo e usufruir de seu
glamour. Seu empresário, James Furguson, continuou a registrar em seu
caixa a entrada (e a saída) de grandes somas de dólares. Bill Haley
mandou construir sob encomenda uma luxuosa propriedade, em Booth Corners,
na Pensilvânia, que batizou com o nome de “Melody Manor” (“Solar da
Melodia”). Ele também colocou cinco Cadillacs Eldorado em sua garagem,
investiu em obras de arte e comprou um iate. Suas festas eram notórias,
em uma delas Bill Haley contratou a cantora Dinah Shore para cantar. No
entanto, durante o ano de 1956, Elvis Presley despontou para o sucesso e
aos poucos foi ofuscando o brilho de Bill Haley. Na época Bill Haley já
tinha 30 anos, um peso excessivo para sua baixa estatura e seu característico
pega-rapaz não empolgou tanto quanto os fartos e gomalinados cabelos de
Elvis, um roqueiro que além de muito talentoso, era bonito e esbelto. Rock
ao Redor do Mundo Em
1957, Bill Haley and The Comets lançaram o álbum “Rockin´The
Oldies”, que não foi bem sucedido nos Estados Unidos. Haley só voltou
às paradas americanas em 1958, com o single “Skinny Minnie” extraido
do álbum “Bill Haley Chicks” (o primeiro disco de banda de rock
gravado em três canais estéreo). Na época as negociações de um
contrato milionário de Bill Haley com a produtora Desilu para uma série
de programas de variedades em uma rede de TV americana não evoluiram. Com
problemas com o fisco e percebendo o declínio de sua populalridade nos
Estados Unidos, Bill Haley migrou seus interesses artísticos para fora do
país. O álbum “Rock Around The World” (1958), gravado em vários
idiomas, foi fruto desta decisão. Bill Haley foi o primeiro astro de rock
americano a excursionar pela Grã Bretanha, onde seus discos continuavam a
vender aos potes. Suas apresentações na Suécia (onde todos seus álbuns
permaneciam em catálogo e vendendo bem), Alemanha, Bélgica e Itália
arrastavam multidões de jovens aos seus concertos. Na França, Bill Haley
and The Comets lotaram as mais conceituadas casas de espetáculo de Paris
como o Olympia e o Theatre de l´Alhambra. Seus
discos continuaram a ser lançados nos Estados Unidos, como os álbuns
“Strictly Instrumental” (1959), “Haley Jukebox”(1960) e “Twistin´Knights
At Round Table” (1962), além do single “Skokiaan”, mas nenhum
causou grande impacto. Apesar de Bill Haley and The Comets se apresentarem
regularmente no programa da ABC-TV “American Bandstand”, eles
continuaram investindo no exterior. O grupo fez turnês lucrativas na
Austrália, Jamaica, Argentina e México, onde Bill Haley se tornou um dos
maiores vendedores de discos. No México, ele se casou pela terceira vez
com a dançarina Martha Velascao, e estabeleceu residência em Vera Cruz,
uma cidade histórica localizada no Golfo do México e com forte tradição
musical. Na região, Bill Haley investiu seu dinheiro em uma plantação
de manga e na construção de um hotel. Em 1961, Bill Haley gravou o
single “Florida Twist” que se tornou, na época, o disco de maior
sucesso na história do México. A gravadora mexicana Orfeon aproveitou a
onda de sucesso de Bill Haley e gravou, em 1965, três albuns em espanhol:
“Bill Haley Y Sus Cometas”, “Discos Del Milion De Rock & Roll
& Twist” e “Al Compas Del Reloj”. Bill Haley também foi
contratado para atuar em três longas-metragens: as comédias musicais
mexicanas “Juventd Rebelde”(1961), “Besito a Papa”(1961) e “A
Ritmo de Twist” (1962). Revival A
partir de 1964, Bill Haley and The Comets fizeram frequentes turnês pela
Europa, com alguns shows abertos por jovens astros do pop inglês como o
grupo Manfred Mann. Em 1968, em uma de suas turnês pela Inglaterra, Bill
Haley foi recebido como herói pelos seus fãs ingleses, e junto a Johnny
Cash e Carl Perkins, fez um memorável concerto no Royal Albert Hall, em
Londres. Bill Halley e seu grupo também tiveram seus discos de volta às
paradas britânicas e o filme “Rock Around The Clock” voltou aos
cinemas na Europa. Seu sucesso no Velho Mundo fez com que Bill Haley fosse
contratado pela gravadora sueca Sonet, onde lançou os álbuns ao vivo
“Bill on Stage” (1969) e “Bill Haley´s Scrapbook”(1970). Nesta
mesma época, nos Estados Unidos houve um revival do rock´n´roll dos
anos 50, e Bill Haley, com o status de "pai do rock'n'roll",
voltou a se apresentar pela América do Norte. Com isso, foi providenciada
a volta de Bill Haley aos estúdios de gravação americanos em grande
estilo. Foi chamado para a produção o conceituado Sam Charters (produtor
do grupo Country Joe and The Fish) para gravar em Nashville, capital
americana da música, o álbum “Rock Around The Country”, lançado em
1971. O álbum, conceitual do estilo country music, obteve boas críticas,
e nas rádios americanas a versão de Bill Haley para o sucesso de Janis
Joplin “Me and Bobby McGee”, obteve razoável difusão. Bill
Haley voltou a dirigir seus negócios para sua terra natal, e durante a
primeira metade dos anos 70, fez uma série de apresentações pelos
Estados Unidos, muitas vezes em shows nostálgicos, acompanhado de antigas
atrações como Gary U.S. Bonds, The Shirelles e The Dovells. O filme
“Let The Good Times Roll”, de 1973, registrou esta onda de revival,
exibindo concertos de Bill Haley e sua banda, Chuck Berry, Little
Richards, Fats Domino entre outros. Bill Haley continuou a gravar nos
Estados Unidos, e em 1973, lançou o álbum “Just Rock´n´Roll
Music”, repetindo a produção de Sam Charters. Pouco depois “(We´re
Gonna) Rock Around The Clock” voltou às paradas de sucesso americanas
pela segunda vez, impulsionada pelo grande sucesso do filme de George
Lucas, “American Graffiti” (“Loucuras de Verão”) e do seriado da
ABC-TV “Happy Days”, onde a canção fazia parte das trilhas sonoras.
Na mesma época, o cantor Harry Nilsson gravou “’(We´re Gonna) Rock
Around The Clock”, com a produção de John Lennon. Como uma homenagem a
Bill Haley – segundo o ex-Beatle, a canção era uma de suas favoritas
– a gravação teve os bateristas Ringo Starr e Keith Moon, do grupo The
Who. Apesar
de sua volta triunfal em terras americanas, Bill Haley manteve sua agenda
de concertos no exterior, onde seus discos mantinham uma boa vendagem.
Bill Haley and The Comets continuou a fazer excurções pela Europa, onde
participou de um especial para a TV da Austria e tocou no prestigiado
programa inglês “Top of The Pops”, da BBC TV. Eles também estiveram
no Brasil para uma turnê, em 1975, onde Bill Haley participou do álbum
“RockSamba” do grupo brasileiro Lee Jackson O
Fim Bill
Haley gravou, em 1976, o álbum “R-O-C-K”, último produzido por Sam
Charters, onde foi feita uma releitura do material que Bill Haley gravou
na gravadora Decca, vinte anos antes. Porém a disco music estava
no auge e um álbum com velhas canções não empolgou. Bill Haley também
colaborou com seu velho amigo Rudy Pompelli no álbum “Rudy´s Rock: The
Saxophone That Changed The World” creditado a Rudy Pompelli and The
Comets, porém logo em seguida Rudy Pompelli faleceu, aos 47 anos, vítima
de um cancer linfático. A morte do amigo fez Bil Haley abandonar a música
por quase três anos, se dedicando à familia e a seu hobby de pescar. Em
1979, o produtor Kenny Denton, que estava trabalhando com o cantor inglês
e precursor da new wave Gary Numan, se interessou em trazer Bill
Haley de volta aos estúdios. Denton concebeu a idéia de gravar um álbum
com Bill Haley inspirado no rock sulísta americano, popularizado nos anos
70 pelo grupo Lynyrd Skynyrd. O álbum “Everyone Can Rock´n´Roll”
foi gravado no famoso estúdio Fame, em Muscle Shoals, Alabana e lançado
durante uma turnê de Bill Haley pela Europa. Em sua décima excursão
pelo continente europeu, Bill Haley foi cumprimentado pela Rainha
Elizabeth II, quando tocou no “Royal Variety Performance”, em 26 de
novembro de 1979, em Londres. Em
junho de 1980, Bill Haley and The Comets fizeram seus últimos concertos
na África do Sul. Seu empresário estava estudando propostas para
apresentações de Bill Haley no Japão, e chegou a agendar mais uma turnê
pela Europa, em outubro de 1980. Mas em decorrência de um tumor
encontrado no cérebro de Haley, os concertos foram cancelados, para que o
músico iniciasse o tratamento em uma clínica de Los Angeles. Enquanto
se manteve sob cuidados médicos, Bill Haley se refugiou com sua mulher,
Martha, em sua propriedade em Harlingen, Texas, de onde raramente saía e
apenas recebia visitas de velhos amigos e familiares. Bill Haley se
dedicou à sua autobiografia “The Life And Times of Bill Haley” e
chegou a escrever 100 páginas. Entretanto, ele, que sempre se mostrou uma
pessoa muito gentil, passou a ser visto como um artísta excêntrico,
fazendo longas ligações interurbanas para amigos de madrugada e se
recusando a dar entrevistas. Ele, que sempre se dedicou levar a bandeira
do rock´n´roll, faleceu em nove de fevereiro de 1981, aos 55 anos, em
conseqüência de um ataque cardíaco, agravado pelo alcoolismo. A
Lenda Bill
Haley continuou a ser lembrado no decorrer dos anos recebendo,
postumamente, os prêmios mais importantes da música pop americana. Foi
o caso do Grammy, em 1982, para a gravação de “(We´re Gonna) Rock
Around The Clock”, o Rock and Roll of Fame em 1986 e o Billboard Music
Award em 1991. Em
dezesseis de junho de 1993, o serviço postal americano lançou um selo em
homenagem a Bill Haley. Seus discos continuam vendendo até hoje e
acumulam mais de 60 milhões de cópias. Seus últimos lançamentos com
gravações inéditas foram “Bill Haley and Friends: The Legendary
Cowboy Recordings”(2003) e “Rock´n´Roll Arives”(2006). Os
remanescentes originais do grupo Comets continuam a excursionar pelos
Estados Unidos e Europa. Eles
lançaram, em 2001, o álbum “Still Rockin´Around The Clock”. Bill
Haley deixou oito filhos, de três casamentos. O mais velho John W. Haley
escreveu a biografia do pai “Sound and Glory”. Scott Haley se tornou
um respeitado atleta e Pedro Haley é músico. A filha mais nova de Bill,
Gina Haley também seguiu a carreira do pai e lançou em 2000, o primeiro
álbum que leva seu nome pela Rockhouse Records. Vinte e cinco anos após seu falecimento, em 2006, a International Astronomical Union (IAU) batizou o asteroide número 79896, como Billhaley.
Sérgio
Farias sergioricardofarias@yahoo.com.br |