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É BRINCADEIRA |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
Valha-me Deus! Eu não acredito! Só
pode ser falta do que fazer! A nossa cidade passando por tantos
problemas e a Câmara, por iniciativa do seu presidente, aprova a
criação do dia do CONSEG. Ao seguir neste ritmo, não me
surpreenderei se propuserem o dia da boneca Barbie, do palhaço
Bozo, do primeiro dente de leite que caiu, etc... Mata-se o tempo
com bobagens sem fim, enquanto questões importantes ficam
relegadas a segundo plano. Como se já não bastassem as
constantes homenagens, votos de congratulações, pesar, e as mais
estapafúrdias mensagens.
Que fique claro que a minha
manifestação não é em nada contra o CONSEG e os seus membros,
mas, convenhamos, há mais o que se fazer pela segurança do que
criar datas. Este tipo de “rasgação de seda” não contribuí
em nada para a solução dos problemas da violência ou da segurança
pública. Talvez fosse mais produtivo se a Câmara participasse
mais ativamente das reuniões do Conselho.
Quando os temas são de fato
importantes, a Câmara Municipal segue pela contramão, como por
exemplo, no esforço que a maioria está fazendo para sepultar
definitivamente o projeto de Lei que proíbe a contração de
parentes nos cargos em comissão, o chamado nepotismo.
Só para lembrar: foram apresentados
no final do ano passado três projetos à Câmara, assinado por vários
sindicatos da cidade, propondo o fim do nepotismo, a redução do
recesso da Câmara de 90 para 30 dias ao ano e a redução do
repasse de verbas para a Câmara na proporção da redução do número
de vereadores. Dentre os três projetos, apenas o primeiro, por
iniciativa do vereador Marcelo Verly, foi apresentado. Mas foi
barrado na Comissão de Constituição e Justiça, sem ir a voto
em plenário. Como o vereador recorreu desta decisão, estão
criando instrumentos para impedir que o assunto volte à pauta.
Conclui-se então que as propostas inócuas e desnecessárias,
apreciadas e votadas, seguindo o curso da mediocridade política
instalada, são mais importante do que debater e pôr fim ao
imoral emprego de parentes nos gabinetes. Quanto à redução das
férias parlamentares, o recesso de 90 dias para 30 dias anuais,
nenhum vereador tomou a iniciativa de pautar o projeto. Deve ser
algo sem importância, né?! Deste modo, como se faz todos os
anos, convoca-se as já tão conhecidas reuniões extraordinárias
com custos para o erário público.
A redução do repasse de verbas do
Município para a Câmara, também revela-se algo impossível de
acontecer. Em meio a homenagens e criação de datas solenes e à
proposta de redução do repasse de verbas, o primeiro assunto, ao
que parece, é muito mais importante.
Já faz tempo ingressei com uma Ação
Popular propondo a redução do repasse de verbas para a Câmara
na proporção da redução do número de vereadores. O lógico, o
racional, o moralmente correto, seria que a própria Câmara,
através dos seus representantes, tomasse tal iniciativa, ou, até
mesmo, que partisse do Poder Executivo tal proposta. Está claro
que nenhum dos dois fará qualquer esforço neste sentido.
Ingressei também, juntamente com um
outro cidadão, com uma representação no Ministério Público,
denunciando a ilegalidade e a imoralidade que é a prática do
nepotismo nos Poderes Executivo e Legislativo locais. Cabe agora
esperar o seu desfecho. Mas cabe também continuar com este
debate, para que ele ganhe uma maior repercussão na sociedade,
para que mais pessoas se manifestem quanto ao assunto. Pois, como
se sabe, na política as coisas só funcionam sob pressão
popular.
Outros municípios deste nosso
grande Brasil já atacaram o problema e eliminaram a prática do
nepotismo. Nossos representantes públicos locais deveriam seguir
estes bons exemplos, prestando um nobre serviço à nossa cidade e
ao seu povo.
*Presidente do Sindicato dos Bancários
de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br
Publicado no jornal Alternativa 60 maio/07
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