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A segurança pública está ferida de morte |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
A
morte brutal do menino João Hélio gerou um clima de
comoção geral. E não poderia ser diferente.
Mesmo que a sociedade já esteja meio anestesiada com a violência
cotidiana, casos como estes não passam sem deixar um rastro
de profunda revolta. Ecoa por todos os cantos um grito surdo de
aflição denunciando que chegamos ao limite do suportável. Nestas ocasiões, aproveitando o clima de comoção e o clamor da sociedade, aparecem soluções messiânicas. Propostas como a pena de morte e a redução da maioridade penal são as mais citadas. Corre-se o risco, mais uma vez, de se atacar o efeito sem cuidar da causa. O fato que não se discute, entra governo sai governo, é que a estrutura, o aparato de segurança do estado, está caindo de podre, seja pela falta de aparelhamento das delegacias e batalhões de polícia, seja pela falta de material humano, seja pela falta de valorização do material humano, seja pela promiscuidade da relação bandido-polícia, em todos os escalões. A corrupção dentro da estrutura de segurança é tanta que até o ex-chefe de Polícia Civil do Rio, agora deputado estadual eleito, Álvaro Lins, é suspeito de envolvimento com a máfia de caça-níqueis. Um estranho silêncio entre o ex-secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, e a ex-governadora, Rosinha Garotinho, que sabiam das suspeitas contra Álvaro Lins e ainda assim nada fizeram, encobre o caso. E ele, agora protegido por uma discutível imunidade parlamentar, se cala. Álvaro Lins não é um caso isolado. Investigações da Polícia Federal mostram que componentes da "banda podre" da polícia fornecem armas e munições às quadrilhas de traficantes do Rio. Há, segundo investigações, "acertos" com bicheiros, traficantes e a máfia de caça-níqueis, etc... Por
fim, temos visto a ação das milícias nos morros
do Rio de Janeiro (depois ainda dizem que não estamos em
guerra), disputando poder e autoridade com os bandidos, cobrando
para dar "proteção" aos moradores, entre
outras coisas. Não haverá meios de conter a violência se não houver investimentos em inteligência e aprimoramento humano dos agentes da lei. Os policiais honestos precisam ser valorizados para que não tenham que recorrer à dupla jornada de trabalho, fazendo os chamados "bicos", prestando serviços de segurança em supermercados, condomínios, etc..., para complementar sua renda. São estes homens que, cansados, irão para as ruas cuidar da segurança da população. Não tenho dúvida de que a polícia é composta por uma maioria de homens e mulheres de bem e que sofrem com esta imagem deformada que a instituição adquiriu ao longo do tempo. Não pode haver tolerância com o banditismo, menos ainda com o banditismo institucional, que porta uma insígnia ou usa farda. Ele faz com que fiquemos ainda mais desesperançados. É preciso ainda que o Estado ataque os problemas sociais que originam a violência, que aprofunde os investimentos em educação, geração de emprego e ação social. Nos
oito anos de governo dos Garotinhos, vivemos o agravamento da violência.
Esperamos que algo seja feito neste novo governo. Caminhadas e manifestações
pela paz realizadas pela sociedade são legítimas.
Acenam como um pedido de socorro da população. Mas,
isoladas, em si nada resolvem se não houver uma forte ação
política. Na minha opinião, é por aí
que devemos caminhar. Cobrar ações políticas
concretas. Ações racionais e práticas, que
não estejam vinculadas à comoção como
a causada pela morte do menino João Hélio. *Presidente
do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
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