Queimadas criminosas


 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

      


Para os que amam esta cidade, e eu me incluo na vasta lista dos que amam Nova Friburgo, foi um duro golpe ver os estragos provocados pelas queimadas durante o prolongado período de estiagem deste ano.
O fogo se alastrava pelos pés das montanhas e subia por elas em altas labaredas de difícil combate para os bombeiros. Mesmo com o uso de helicópteros, não foi fácil. Debelava-se o fogo em um local e logo ele surgia em outro, numa teimosia surpreendente, ajudado pelas folhas secas e pelas mãos criminosas e irresponsáveis de quem ateia fogo nas matas. Ao cair da noite, a paisagem parecia a de um vulcão escorrendo lava.
Um espetáculo sinistro que se repete, com maior ou menor intensidade, todos os anos e que requer medidas duras e punição exemplar para os agressores do meio ambiente. Além, é claro, de um processo de educação. Punir e educar; um binômio adequado para reverter este quadro.
Depois que o fogo foi apagado, o que nos restou foi uma paisagem feia e muita fuligem no ar. Um cinza sem graça ocupando o verde de outrora.
Além do mal estar, provocado nas pessoas alérgicas, pelas cinzas e pela fumaça, muitos animais foram mortos: pássaros, tatus, cobras... E diversas espécies de plantas destruídas: bromélias, palmitos, orquídeas...
A natureza é generosa e muita coisa se recompõe com o tempo. Mas, nem tudo. E é preciso que se pense nisso: por quanto tempo a natureza irá agüentar os maus tratos praticados pelos homens? Será esta a nossa herança para as gerações futuras?
O ex-Prefeito, Dr. Heródoto, costuma dizer que Nova Friburgo é uma cidade verde e que este valor deve ser a nossa marca, o que nos faz diferente de outras cidades. Uma marca que deve ser vendida, no bom sentido, como atrativo turístico. Ou seja, uma cidade que preserva a sua biodiversidade. Que cresce sem destruir as suas fontes, suas matas e seus animais. Que tem o privilégio de ser serrana e ainda assim próxima, bem próxima ao mar. Que poderá, se bem cuidada, ser um precioso reservatório de água potável. Um bem que ficará escasso com o passar do tempo.
Devemos pensar nisso e na forma como são ocupadas as encostas; na maneira como são cortados os barrancos para a construção de casas; na destruição inconseqüente e predadora das matas para loteamento, sem o devido acompanhamento técnico, desrespeitando as áreas de preservação natural.
Ao final, com toda certeza, a natureza nos cobrará por nossa ação deletéria, agressiva e predatória. Uns pagarão o preço por serem os agentes da destruição. Outros, pela omissão de não levantarem a voz, fazendo de conta que nada está acontecendo.

*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br

 

Publicado no jornal A Voz da Serra em 07.12.07