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ARTE NO MURO |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
É de dar dó o estado de abandono em que se encontra um painel artístico pintado por vários artistas, dentre eles alguns são de Nova Friburgo, em um muro da Avenida Euterpe Friburguense, uma via de grande movimento de carros e de pedestres e que na ocasião contou com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Ele está localizado próximo a uma escola, uma universidade, ao Fórum da cidade, ao Juizado Especial, a Justiça Federal, ao Hospital Municipal e vários conjuntos residenciais. Numa via que dá acesso a inúmeros bairros e que serve de ligação a vários outros municípios. Tamanho descaso com a cultura é inadmissível. O painel é apenas uma parte do abandono do nosso patrimônio cultural e artístico municipal ao longo de muito tempo. A Fonte do Suspiro, por exemplo, há muito que está esquecida. Vários casarios e fachadas que contam a nossa história foram demolidos, desfigurados, abandonados. E não me venham falar em desenvolvimento. Isso não tem nada a ver com desenvolvimento. Podemos crescer e desenvolver a cidade e, ao mesmo tempo, preservar as suas características culturais e artísticas como fonte de interesse turístico, conservando o que nos foi legado. Se há, como dizem, o propósito de alavancar o turismo em nossa Nova Friburgo, é melhor que cuidemos adequadamente de nossos casarios, fachadas e monumentos. Estes itens, quanto melhor cuidados, mais atraem o interesse dos que nos visitam. Mas, voltando ao painel... participaram de sua feitura os artistas: Paulo Luz, que reside há 14 nos EUA; Mário Massena, que trabalhou em Minas Gerais por vários anos como restaurador e está de volta à cidade; Mário Borda, já falecido; Mário Moreira, que morou vários anos em Portugal e está de volta à Nova Friburgo e Mário Valdanini. Este último aceitou, na ocasião, a tarefa de pintar uma das partes do painel. Tarefa esta que cabia anteriormente ao artista Leo Lanes, que não a executou, por motivos que não vem ao caso citar. Mário Valdanini graciosamente finalizou a última peça do painel. Portanto, devemos ao quarteto de Mários e ao Paulo Luz aquela belíssima alegoria. O painel foi pintado no inicio da década de noventa e nunca sofreu restauração, muito menos está havendo o necessário cuidado com a sua preservação. Quem passa pela Avenida Euterpe Friburguense quase não percebe a sua beleza, já muito apagado que está, e encoberto por mato, umidade e sujeira. Ao lado dele foi pintado, na parede de um estabelecimento comercial, uma propaganda que conflita com o painel. Na outra ponta foi instalado um armário da Telemar. Se a empresa houvesse agido com um pouco de bom senso, o teria colocado a alguns metros mais adiante. Se não bastasse isso tudo, árvores foram plantadas pela prefeitura na calçada, bem à sua frente. Por fim, durante boa parte do dia, vários ônibus ficam estacionados, encobrindo a obra de arte do olhar do público. Algo precisa ser feito. Sugiro que a secretaria de Cultura busque meios para preservá-lo, como uma peça do nosso patrimônio cultural. Ele embeleza e humaniza o conturbado caos urbano. Que tal aproveitar o fato da maioria dos artistas estarem vivos, morando na cidade, e convidá-los para o trabalho de restauração, prestigiando os artistas e preservando o nosso já tão combalido patrimônio artístico e cultural? Por falar nisso, é bom lembrar que numa das paredes internas do Porão da Arte há um belíssimo painel pintado pelo Nêgo, que também precisa ser cuidado e preservado da ação do tempo, ou da iniciativa de algum “iluminado” que possa decidir um dia apagá-lo.
*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail: claudiodamiao@pop.com.br
----------------------------------------------------- Publicado no jornal A Voz da Serra em 02.03.07
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