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PROPAGANDA NEGATIVA |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
Não há um dia em que os meios de comunicação nos poupem das notícias de violência. O Rio de Janeiro, nosso “cartão postal”, virou uma cidade sitiada, comandada por facções criminosas - umas que estão nos morros e outras que estão dentro de confortáveis salas refrigeradas. Bandidos no asfalto municiam os bandidos que se escondem nas favelas. Há “autoridades” que fazem a receptação de armas e abastecem o crime. Quem deveria nos proteger, nos achaca. E assim caminhamos para a consolidação de um estado inseguro, violento e desesperançado. Bandidos invadem quartéis para roubar armas. Balas perdidas matam estudantes em universidades, escolas e creches. Policiais desonram a farda e trocam de lado com os bandidos. Policiais honestos não podem andar fardados nos locais onde moram para não serem mortos pelos bandidos. Rebelião em presídio virou coisa banal, corriqueira. Parece que estamos num cenário kafkaniano. Um sonho monstruoso saído das páginas de um Poe ou, talvez, já estejamos no inferno de Dante. Por falta de políticas públicas consistentes e duradouras, os governantes optam pelo assistencialismo que aprisiona os mais necessitados. Dá-se um pé de sapato às vésperas das eleições com a promessa de entregar o outro pé depois de eleito. Se eleito, esquece o que prometeu e fica o dito pelo não dito: um pé calçado e outro descalço. Foi assim com um candidato a governador do Estado do Rio, que prometeu acabar com a violência em três meses (além das outras promessas de praxe, como saúde, educação, saneamento e moradia). Após eleito, sucateou os CIEPs, abandonando a educação, ponto de partida para diminuir a violência, entre outros males. E também está sendo assim com o atual governo do estado, que também despreza a educação como solução para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Prefere apostar no messianismo político como meio de dominar as consciências e atingir os seus fins políticos, misturando perigosamente religião e política. Passados os anos, vê-se que não atacou de fato os problemas existentes. Ao invés disso criou panos de fundo, entre eles, por exemplo, a construção de Delegacias Legais com a imposição aos municípios de que sejam acopladas à construção de Casas de Custódias. Não se aplica em investimento social, mas em cadeias, como uma falsa solução para o problema da violência. Estou muito preocupado com esta idéia maluca de construção de um presídio em Nova Friburgo. Cidades próximas não permitiram a construção, defendendo legitimamente os seus interesses estratégicos. Mas, há aqueles que querem, por motivos inconfessos, nos empurrar este abacaxi. Imaginem nossa cidade nas páginas de jornais: “Rebelião em Casa de Custódia (que eu prefiro chamar de presídio) em Nova Friburgo deixa vários mortos e outros tantos feridos”; “Superlotação em Casa de Custódia em Nova Friburgo provoca rebelião de presos”; “Presos da Casa de Custódia de Nova Friburgo, pelo celular, ameaçam a população com seqüestro e exigem dinheiro”; “Várias pessoas ficam feridas em rebelião e fuga da Casa de Custódia de Nova Friburgo”; “Facção criminosa invade Casa de Custódia em Nova Friburgo e liberta presos”. Isso sem falar que, a exemplo de outros municípios onde há Casas de Custódia, as facções criminosas é que comandam os espaços internos dos presídios, o que trará para a nossa cidade um afluxo maior de bandidos. Não tenho dúvida de que se a Casa de Custódia for construída em nossa cidade teremos muito mais a perder do que a ganhar. Temos que apostar na vocação natural da nossa cidade, o turismo. Mas como apostar no turismo com propagandas tão negativas?!... Se o governo do Estado quiser instalar aqui um polo industrial, uma universidade pública, ou, quem sabe, um Hospital Estadual para tratamento do Câncer, centro de referência para a região, estes investimentos serão bem vindos. Já a Casa de Custódia, não!
*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail: claudiodamiao@pop.com.br ............................................................................. Publicado no jornal A VOZ DA SERRA |