É preciso preservar o nosso patrimônio histórico

 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

      

Louvo a iniciativa do jornal A Voz da Serra onde, em recente reportagem, mostrou algumas jóias de nossa arquitetura, parte do nosso patrimônio histórico. Alguns tombados pelo IPHAN, e outros, que se não forem protegidos, certamente poderão ser perdidos, ficando apenas os registros fotográficos.

 

E de que vale o registro fotográfico para uma cidade que se pretende turística? De nada! Quando muito, serve para sabermos como era antes e comparar com o que temos hoje. Ou para exposições fotográficas. Só isso! Mas uma cidade precisa ter alma. Precisa preservar sua história, principalmente através da sua arquitetura.

 

Arrisco dizer que somos pouco preocupados com isso e perdemos valores que fazem muita diferença, mesmo sabendo que é possível conviverem o moderno e o antigo harmonicamente. Cada um respeitando o seu espaço. Esse diferencial é ponto de atração turística e, para nós, é a valorização e preservação da nossa história, que vai se construindo ao longo do tempo.

 

Já perdemos tantas coisas belas que temo que a cidade vá se embrutecendo, perdendo um certo romantismo e até, em alguns casos, poderia dizer, se enfeando.

Julgo que poderíamos oferecer aos estudantes da rede pública, por exemplo, mais informações sobre o conjunto histórico-arquitetônico da nossa cidade. Levá-los a conhecê-los melhor. Assim como poderíamos usar a nossa história como forma de atrair o interesse dos turistas para a nossa cidade. Há muito o que se mostrar, há muito o que se ver. Mas falta um roteiro e folhetos sobre o assunto.

 

Quando não são os proprietários dos imóveis que os põem abaixo, são intervenções indevidas do Poder Público no espaço urbano que modificam-no ou apagam parte da história.

 

Considero que este tema deveria ser objeto de maior atenção dos nossos representantes públicos, da Prefeitura, Câmara Municipal, da Secretaria de Turismo, Cultura, por exemplo.

 

Outro dia li, neste mesmo jornal, sobre a história da nossa Fonte do Suspiro, que dá nome ao Bairro, narrada pelo historiador Carlos Jayme Jaccoud, construída em 1865, e hoje totalmente abandonada, num claro sinal de descaso com a nossa história.

 

Acho que a reportagem foi boa para darmos inicio ao debate. Parabenizo a Dalva Ventura pela iniciativa do trabalho e a Regina Lo Bianco pelas belas fotos.

 

 

*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo

E-mail: claudiodamiao@pop.com.br

 

 

 

 

 

Publicado no jornal A Voz da Serra do dia 11/10/06