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O Crime de se fechar uma Escola - II |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
Todas as argumentações que possam ser usadas pelos representantes da governadora, ou pela própria, serão apenas desculpas para justificar, sim, a incompetência e o desleixo deliberado com a educação.
A Escola existia há mais de quarenta anos e sempre foi tratada com descaso pelas autoridades. Descaso este amenizado pela dedicação dos seus professores e diretores ao longo de todos estes anos. Não fosse isso, e as crianças não teriam, assim como eu, que lá estudei, a atenção e o carinho, muito mais do que boas instalações, dos profissionais da educação que lá trabalharam com afinco na formação dos jovens. Os professores e os funcionários nunca tiveram uma escola dentro de padrões adequados, mas nem por isso deixaram de cumprir a sagrada missão de educar. Nem por isso, em tempo algum, concordaram com o fechamento da escola, ou cogitaram abandoná-la.
Quanto aos pais dos alunos, sequer foi indagado se concordavam com tamanho crime, o fechamento da escola; nem se concordavam com a transferência compulsória dos seus filhos para outra escola a léguas de distância. Pois nenhum dos pais de alunos, em sã consciência, se lhe fosse dado o direito de opinar, consentiria com tamanha barbaridade. O fechamento da Escola Estadual Professor Constantino Domingos Ferreira traduz-se num ato de força. Uma brutalidade cometida contra o futuro das crianças que moram no Bairro Bela Vista e suas imediações.
Eu sei o que significa aquela escola para os moradores do bairro, porque lá morei e estudei. Há, agora, com o fechamento e a transferência dos alunos, uma maior preocupação dos pais que não poderão acompanhar de perto a ida dos filhos para a escola, situada, como já disse, em local distante e com travessia de ruas de muito movimento de carros, tornando o trajeto muito perigoso para os estudantes. Além disso, não há linhas de ônibus que deixem as crianças próximas a esta nova escola, para onde estão sendo transferidas.
Tal medida insensata poderá aumentar a evasão escolar e apontar para outros problemas ainda maiores no futuro.
É de se lamentar que, além da decisão equivocada da governadora Rosinha Garotinho, as nossas autoridades municipais também tenham olhado passivamente para ocorrido, e como se não fosse com elas, tenham se calado diante deste ato bárbaro. *Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail: claudiodamiao@pop.com.br Publicado
no Jornal Serrano out/06 |