|
*Cláudio Damião Santos Pereira
Era véspera do meu aniversário. Vinha do Rio, de uma reunião sobre a campanha salarial dos bancários. Preocupado com o adiantado da hora, ainda na estrada, telefono para minha mulher e marcamos um local para nos encontrarmos e, juntos, irmos à noite de autógrafos na Academia Friburguense de Letras. Um compromisso a que eu não poderia faltar. Ao
chegarmos ao local a maioria dos convidados, em grande parte amigos e
admiradores do escritor, conversavam animadamente em pequenos grupos
espalhados pelo salão. Entre sorrisos e “boas noites”, pegamos o
nosso exemplar do livro e nos dirigimos para a fila de autógrafos. No
curto percurso nos é servido um cálice de vinho para o brinde com o
autor. Uma
noite de autógrafos, ouso comparar com o momento do nascimento de um
filho: todo o clima da espera, o nervosismo, a alegria... As pessoas
cumprimentando efusivamente o autor da obra, como se ele fora, naquele
momento, pai. Este, meio trêmulo,
emocionado, com um intenso brilho nos olhos, agradece os cumprimentos e
a presença dos amigos, enquanto autografa sua obra, como quem troca
fraldas pela primeira vez.. Um
clima de magia paira no ar. Furtivamente, leio a orelha do livro.
Descubro ter sido escrita pelo meu amigo Aristélio Andrade, amante de
jazz assim como o autor e também colunistas no A Voz da Serra. Enquanto
beberico o meu vinho, uma conversa boa vai surgindo. Encontro o Sérgio
Bernardo, o Júlio Seabra, que eu não sei chamar de Jaburu,
a Maria Lua e tantos outros. Conheço o escritor Álvaro Otoni. O papo
prossegue com a troca de impressões sobre outros livros e autores,
enquanto faço novas amizades. Em
razão do tempo que me andou meio escasso nestes dias de campanha
salarial, entre um dia de greve e outro, mantinha a leitura dos meus
livros a “conta gotas”. Nada melhor ao final, pois pude saborear
cada conto e cada crônica do livro O Índio Paraguaio. Umas me fizeram
rir sozinho, feito maluco, de tão engraçadas. Outras, tristes, me
fizeram meditar. Valeu a leitura. Augusto
Carlos Curvello de Muros, “Don Augusto”- como diria o Aristélio -
bancário como eu , escreve com maestria. Eu já o acompanho em suas crônicas
no A Voz da Serra, além de já ter lido outro livro seu: “Minha Doce
Mila”. Há
alguns meses, em visita ao Sindicato, entre um papo e outro, ele me
contou como surgiu o “Índio Paraguaio”, texto que dá título ao
seu livro. Só que esta história eu não vou contar aqui. – Ficou
curioso? Sugiro então que leias o livro. Livro este que recomendo a
todos. Parabéns, Muros! Que venham outros filhos, digo, livros. *Presidente
do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail:
claudiodamiao@pop.com.br Publicado no jornal A Voz da Serra do dia 15 e16/11/05 |