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As pesquisas de opinião e a eleição do Lula |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
Parece
se confirmar a afirmativa do Presidente Lula quando, num desabafo
diante dos ataques e do destempero do PSDB e do PFL, disse: “eu sou
igual massa de pão, quanto mais me batem, mais eu cresço”. Já
naquele momento o presidente reagia, nos indicadores das pesquisas de
opinião, de forma positiva. Mesmo com toda a tentativa do PFL e PSDB
de enfraquecê-lo diante dos olhos do eleitor, ele só fez crescer. O
que também fez crescer, na mesma proporção, o desespero e a
agressividade dos seus oponentes. Este
mês uma nova pesquisa (CNI-Ibope), realizada em 143 municípios, com
2.002 entrevistados, traz dados relevantes sobre a opinião do
eleitorado. Entre eles o de que, a quatro meses das eleições
presidenciais, o percentual dos que avaliam o governo Lula como “ótimo”
ou “bom”, retornou ao patamar de junho de 2003, primeiro semestre
da gestão Lula. O que o levaria, com tranqüilidade, mantendo-se o
atual quadro, a vencer as eleições já no primeiro turno. Claro que
tudo isso são conjecturas, e o quadro pode se alterar com o
desenrolar da campanha que ainda está por vir. A
pesquisa demonstra que houve um avanço na avaliação do Governo em
quase todos os segmentos. A evolução positiva confirma a crescente
recuperação da popularidade do Presidente Lula.
Entre os que cursaram até a 4ª série do ensino fundamental,
69% dos entrevistados aprovam a maneira de governar do Presidente e
25% desaprovam; dos que se situam na faixa do ensino médio, 55%
aprovam e 39% desaprovam; já com os que possuem grau superior, há um
saldo negativo, com 45% aprovando e 49% desaprovando. O índice de
rejeição na pesquisa anterior era maior, havendo, portanto, um recuo
de –10 pontos para –4 pontos. Todavia, ainda assim, uma oscilação
positiva. Entre
os que confiam no Presidente Lula, segundo a pesquisa, em comparação
com a de março deste ano, o percentual subiu de 53% para 56%, e o
percentual dos que não confiam caiu de 43% para 39%. A pesquisa, ao
medir o nível de rejeição aos candidatos, constata que Lula é o
que obtém o menor índice de rejeição, 28%, enquanto o candidato
Geraldo Alckmin obtém 34%. Outro
quadro que talvez valha a pena comentar é o de ações que os
pesquisados citaram como prioritárias para o próximo presidente.
Pela ordem, a geração de emprego caiu 5 pontos percentuais, e o
segundo ponto, investimento em saúde e educação, se manteve estável.
Já o item combate ao crime organizado e à violência, talvez
motivado pelos acontecimentos
recentes em São Paulo, cresceu 8 pontos percentuais. Distribuição
de benefícios para a população carente, como o bolsa-família,
ficou em 4º lugar. Eu
confesso que não sou muito afeito a pesquisas, e costumo olhá-las
com uma certa desconfiança. Mas resolvi verificar os números e
compará-los, movido até por uma certa curiosidade. E achava que os
ataques desferidos pela “direita braba” pudessem fazer maiores
estragos. Personalidades da época da ditadura, como ACM, tornaram-se
paladinos da moralidade. Ele e seu neto tentaram surfar nas ondas das
denúncias e CPIs. Não pelo caráter cívico, pelo bem do país e do
seu povo, mas por mera disputa política. Diferentemente
do Presidente Lula, a imagem do Congresso está bastante desgastada. E
não é de hoje! Os episódios recentes só fizeram aumentar a repulsa
popular. Ainda mais pela frouxidão e pelo corporativismo dos seus
membros. Com tantos escândalos que se sobrepõem uns aos outros, não
há tempo para cuidar dos interesses do Brasil. Um
choque de moralidade se faz necessário. Mas isso só ocorrerá na
medida que haja uma profunda renovação na representação política
no Congresso Nacional e que haja, antes disso, uma reforma política
conseqüente. *Presidente
do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo E-mail:
claudiodamiao@pop.com.br Publicado
no jornal Alternativa junho/2006 |