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As
ONGs e o Garotinhoduto S/A |
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*Cláudio Damião Santos Pereira
Quem,
assim como eu, se indignou com o escândalo do chamado Valerioduto,
acaba por ver que determinadas espécies de políticos se superam na
arte da rapinagem do dinheiro público. Se o Valerioduto levou,
segundo se estima, algo em torno de R$ 65 milhões - dinheiro este de
origem mal explicada e que visava a beneficiar parlamentares de
diversos partidos- vem, agora, a família Garotinho, para demonstrar
que sabem fazer mais e melhor. Manchete do jornal O Globo nos dá a
seguinte referência: “ONGs não explicam uso de R$ 254 milhões do
estado. Só uma das associações recebeu R$ 105 milhões desde
2005.” As chamadas ONGs do casal Garotinho levaram, até agora,
quase 4 vezes mais dinheiro do que o Valerioduto. É bom lembrar que
as empresas, as tais ONGs de fachada, foram contratadas sem licitação. Endereços
intrincados; redes de sócios que se entrecruzam com laranjas; presidiário
como sócio; contadores e empresas com endereços inexistentes, formam
um labirinto, cuja saída não é fácil de encontrar. O
estado do Rio de Janeiro, pelo que vemos, há muito é sangrado. Um
rico estado, porém vitimado pela corrupção desenfreada de alguns
representantes políticos. Pagamos
um preço alto pelo descaso, pela corrupção, pela violência. Uma
coisa advinda da outra. O caos na Saúde e na Educação é fruto
deste cenário devastador provocado pela corrupção deslavada. O
governo do estado, ao invés de atender às necessidades básicas da
população de um modo geral, escora-se em projetos assistencialistas
e presta, no varejo, atendimento a R$ 1 (um real) como no caso das
Farmácia Populares. Estas, também envolvidas em escândalos de
corrupção, até hoje não apurados. Enquanto
alguns se beneficiam do erário público, os outros, ou seja, nós, a
maioria da população, nos enquadramos na qualidade de cidadãos
parciais, ou seja, temos saúde parcial, educação parcial, segurança
parcial, tudo pela metade e de forma precária. O
câncer se alastra de tal forma que o presidente da Alerj, sócio
representante dos interesses políticos do casal Garotinho, está
sendo investigado, juntamente com outros parlamentares da base de
apoio da governadora, por suspeita de envolvimento com a máfia dos
combustíveis e por enriquecimento ilícito, com um crescimento
patrimonial de mais de 1.000%. E sabemos que não há máfia sem o
apoio de autoridades. Muita gente deve ainda se lembrar de uma juíza
aqui em Nova Friburgo, envolvida neste escândalo. Não sei que fim
levou a insigne magistrada. Cadeia certamente ela não pegou, pois
esta é reservada a um outro tipo de público. Para nós, simples cidadãos, estupefatos com os escândalos que se multiplicam, muitas vezes descrentes também da justiça, ficamos meio desnorteados, nesta estrutura opressora chamada Estado. Ainda assim, acho que devemos protestar e exigir que a justiça se faça valer. Ela pode até ser cega, mas esperamos que não fique surda ao clamor popular. *Presidente
do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo Publicado no jornal A Voz da Serra do dia 6 a 8/05/06 |