NÃO PAGO (II) 

 

 

*Cláudio Damião Santos Pereira

 

      

Eu não tenho a menor dúvida de que entre as mais diversas instituições públicas do nosso sofrido Estado do Rio, uma das que obtém melhor avaliação junto à população é o Batalhão do Corpo de Bombeiros. Arrisco dizer que em qualquer cidade do nosso estado eles serão bem avaliados. Não há quem não admire o trabalho dos valorosos soldados do Corpo de Bombeiros. Eu também os admiro pela coragem e pela presteza; a convivência diária com o perigo, etc...

Apesar de toda essa sincera admiração pela corporação, sou contrário ao pagamento da Taxa de Incêndio. Ou melhor dizendo: sou contrário à sua cobrança. E estou cada vez mais convencido de que estou certo em não pagá-la. Já disse que me nego a pagar tal Taxa e repetirei o quanto for necessário: Não pago!

Já pagamos demais ao estado e este se nega a nos oferecer os serviços de que necessitamos. Quando os oferece é de forma precária. São hospitais em péssimas condições de atendimento; estradas abandonadas; escolas precarizadas; segurança pública uma lástima...

Como o governo estadual nos cobra a Taxa de Incêndio com a alegação de que é para manter os 110 quartéis de bombeiros no estado, pode alegar a cobrança da Taxa de Segurança Pública com a mesma afirmativa: de que só assim poderá nos oferecer alguma segurança. A Polícia Militar e a Polícia Civil precisam ser equipadas, ter viaturas... Ou não consideramos a segurança pública como algo importante?

E neste diapasão caberá espaço para cobrar a Taxa de Manutenção das Escolas Públicas, a Taxa da Saúde (esta já nos cobra o governo federal; foi criada por FHC como provisória e ficou definitiva). Mas pode ser que o governo do estado também queira criar a sua Taxa da Saúde. E aí, vamos dizer o quê, se já concordamos em pagar a Taxa de Incêndio?...

O que faz o estado com o que arrecada, por exemplo, com o IPVA e a vistoria obrigatória? As estradas sob a jurisdição do estado estão perigosas e sem manutenção em vários pontos. Se queremos um pouco mais de segurança temos que pagar pedágio.

Daí a pouco os prefeitos também se sentirão no direito de nos cobrar a Taxa para a Manutenção da Guarda Municipal; a Taxa para Manutenção da Autarquia Municipal de Trânsito... E por aí vai!... Basta lembrar que o município passou a nos cobrar a Taxa de Iluminação Pública e a Taxa de Coleta de Lixo. E nem por isso deixou de nos cobrar a TSU (Taxa de Serviços Urbanos).

Eu fico indignado com o nosso concordar passivo. Há casos em que é preciso pregar a desobediência civil, minha gente. Acho que já chegamos no limite do suportável. E não há que temer as ameaças de inclusão na dívida ativa. Quem nos incluirá, a prefeitura? Pois que o faça! E as Câmaras Municipais, o que dirão sobre o assunto?

Para nos convencer do pagamento, apelam até para sorteios. A que ponto nós chegamos!...

 

*Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo

E-mail: claudiodamiao@pop.com.br

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Publicado no jornal Alternativa 03/06