A farra das Privatizações |
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*Cláudio Damião Santos Pereira Agora,
passado o calor do debate eleitoral, e após a fantástica vitória do
Presidente Lula, fica mais fácil retornar ao tema das privatizações.
Por sinal, foi só após pautar este assunto na agenda política
eleitoral que o PT conseguiu virar o jogo, sair do paredão em que
estava e forçar o PSDB a ficar na defensiva. Saiu da condição de
saco de pancada para a de pugilista. A
estratégia de debater as privatizações se mostrou tão acertada que
os defensores da privataria se esforçaram em mostrar, por exemplo, o
sucesso da Vale do Rio Doce após passar às mãos da iniciativa
privada. “Uma maravilha, só conseguida pelo espírito empreendedor
dos novos donos da empresa”. Claro que isso é uma mentira
deslavada. Quem
pensa que a Vale passou a investir mais em serviços ferroviários,
portuários, de navegação marítima, enganou-se. Ela cortou seus
investimentos em 25%, segundo nos conta Aloysio Biondi. Desta forma,
os novos donos embolsaram 70% dos lucros, logo no primeiro ano pós-privatização. Outra
coisa que não foi dita é que a Vale pagou menos de 0,5% de Imposto
de Renda, graças a uma brecha na lei que garantia a devolução, sob
a forma de abatimento no Imposto de Renda, entre a diferença do ágio
e o valor pedido pelo governo na hora da venda da empresa. Uma beleza!
Assim fica fácil alardear os lucros da Vale nas mãos dos novos
donos. Só não dizem, os defensores das privatizações, que o
dinheiro usado, inclusive do BNDES, para financiar as privatizações,
era do povo brasileiro. Portanto,
FHC e sua turma cometeram crime de lesa-pátria. Matéria
publicada no jornal A Folha de São Paulo, em novembro de 1999, pelo
jornalista Alex Ribeiro, nos mostra que o governo do estado do Rio de
Janeiro, à época, gastou R$ 7 bilhões para “preparar” o Banerj
para a privatização. O “comprador” foi o Itaú, que pagou a
insignificante quantia de R$ 310 milhões. Segundo
Alex Ribeiro, as privatizações comandadas pelo governo FHC são
criminosas: “as empresas e os bancos estatais não estão apenas
sendo literalmente doados aos grupos privilegiados, brasileiros ou
multinacionais. O assalto vai mais longe: na prática, estamos até
pagando, bilhões de reais, para que os compradores façam o favor de
embolsar o patrimônio coletivo e lucros bilionários”. Sinceramente,
acho que até os cidadãos que vêem com bons olhos o processo de
privatização hão de convir que o que se fez no Brasil na era FHC
foi, no mínimo, um crime imperdoável contra o patrimônio público
nacional. *Presidente
do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo
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