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SANTANA, A LATINIDADE DO ROCK |
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por Sérgio Farias
O rock’n’roll, apesar de suas raízes no rythym’n’blues que tinha sua origem nos negros africanos escravizados na América do Norte, se dizia americano, pois seus primeiros astros eram, de fato, nascidos nos Estados Unidos, como Bill Haley e Elvis Presley. Este domínio yankee durou de 1955 a 1964, quando os ingleses Beatles vieram com um sucesso avassalador, trazendo seus outros conterrâneos como os Rolling Stones. Naquele momento o rock’n’roll passava a ser anglo-americano, até que, em 1969, um outro americano, mas de origem mexicana, passou a também influenciar o rock’n’roll, que passava até uma veia latina. Era o tempo de Carlos Santana. Carlos Santana nasceu em Autlan de Navarro no México. Filho de músicos, se mudou para a Califórnia, ainda criança, onde desenvolveu seu interesse pelo blues. Em 1968, debutou na industria fonográfica americana tocando guitarra no disco “The Live Adventures” da famosa dupla Al Kooper e Mike Bloomfield. Um ano depois era a vez de sua banda – Santana lançar seu primeiro álbum, que foi um grande sucesso, culminando numa antológica apresentação no festival de Woodstock. Era só o começo. Com um som misturando influencias latinas com o rythym’n’blues e o rock’n’roll, embalados numa levada pop e cortado com seus característicos solos de guitarra, o Santana, com sua clássica formação original com Greg Rollie nos teclados e vocal, David Brown no baixo, Mike Shrieve na bateria e os percusionistas Jose Chipito Araes e Michael Scarabello, emplacou com os discos Abraxas”(70) e “New Album”(71). A partir de 1972, com o álbum “Caravanserai”, e a saída de alguns membros da banda, o Santana passou a se aproximar de um som que hoje é chamado de world music e suas letras mais esotéricas. Esta tendência durou durante toda a década de 70. Nos anos 80 e 90, o Santana voltou a se aproximar do pop/rock, com discos como “Zebop”(81) e “Spirits Dancing In The Flash”(90) e passando por várias formações, o Santana continuava a excursionar pelo mundo, mas além de seus fãs do passado, o Santana pouco empolgava as novas gerações e permanecia longe de seus grandes sucessos de outrora. Até que em 1999, Santana lança o álbum “Supernatural”, com uma nova fórmula: seus solos de guitarra e os ritmos latinos continuaram, mas um novo “tempero”, adicionado uma batida dançante levada por jovens vocalistas como Rob Thomas e Michelle Branch, fez com que o Santana não só recuperasse seu sucesso comercial, mas em uma escala muito maior. “Supernatural” recebeu o Grammy como “Album do Ano”, ficou semanas em primeiro lugar nas paradas de sucesso e vendeu mais de dez milhões de discos, só nos Estados Unidos! Carlos Santana, à frente de sua banda, lançou recentemente o álbum “All That I Am” e passará pelo Brasil pela terceira vez neste mês. Vale a pena conferir um músico que ajudou a democratizar o rock’n’roll. Sergio Farias sergioricardofarias@yahoo.com.br |